POESIA

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E é que repito tudo em versos

Composições de ausência e alegria

Escrevo querendo que todos entendam

o que esses pensamentos dizem

quando a beleza invade as letras

… pode ser na rua ou em qualquer lugar

o começo de uma nova história. (E.S.L)

Foi como se eu tivesse salvado alguém da morte

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Era meu primeiro mês naquela vizinhança. Ainda não sabia ao certo o dia da coleta, mas todas as quartas-feiras eu descia para colocar o lixo na cestinha. Estava calor e olhei para o céu nublado. Fiquei uns instantes no pátio por causa da quentura daquele mês. De repente, uma corrente de ar alcançou-me trazendo consigo uma essência desconhecida. O que mais me chamou a atenção foi a suavidade do perfume adocicado que chegava às minhas narinas. Comecei a inalá-lo lentamente e não queria o fim daquele momento. Queria retê-lo dentro dos meus pulmões porque ele chegava até mim em rajadas desiguais, mas logo foi se dissipando e voltei à casa. Fiquei muito curioso e daquele dia em diante, as noites tiveram maior significado para mim e minha existência solitária. Descia todos os dias ao pátio para sentir aquele cheiro bom. Contudo, levou alguns dias para a minha grande vitória porque  era preciso obter mais informações sobre aquele aroma e tive a ideia de investigar sua origem. Nos dias de investigação, procurava a fragrância em todos os pedestres dali. Sentava no bar, pedia alguma bebida e quem passava era farejado pelas minhas entranhas. Com o tempo, pude reconhecer meu engano, não havia pessoa que passasse e trouxesse consigo aquela essência, a não ser o vento, porque depois que ele dava sua volta, o cheiro bom sumia e  momentos depois retornava. Conclui: o que cheira tão bem assim está fixado em algum lugar nas proximidades.

Comecei a seguir a fragrância. Parava em frente aos estabelecimentos comerciais ou no semáforo com passagem livre aos pedestres, quando ela desaparecia. Continuava a seguir as pistas quando a delicada essência retornava. Agindo assim, dei de cara com sua sombra assimétrica. Olhando de perto parecia dançar a uns passos diante de mim um balé encantador, cujo som memorizei também para que pudesse lembrá-lo quando estivesse dentro de casa. E constantemente, comecei a ser pedestre entusiasmado só para vê-la.

Ser pedestre tinha tantas vantagens! Nem poluía, nem prejudicava nada, além disso, me fazia um bem danado caminhar pelas tardes e ver a alegria estampada na cara das pessoas que voltavam do trabalho ou que passeavam pelo bairro. Não pensava em desistir de apreciá-la intensamente, pois ela era a minha inspiração e  a certeza de ser dono do meu apartamento me alegrava,  logo,  podia  estar  ao seu lado…sempre.

Passaram-se os dias, os meses e uma grande movimentação começou a se formar nos arredores. Uns operários uniformizados faziam medidas das ruas e das calçadas e tudo aquilo me tirava a paz porque minha intuição andava avisando-me que um grande perigo estava prestes a acontecer. De dia aquela muvuca me impedia de vê-la e à noite, mesmo com o isolamento preto e amarelo eu me aproximava e a contemplava. Tudo estava ficando muito complicado. Eu temia.

Numa sexta-feira às duas da madrugada comecei a me angustiar. Às vezes, eu queria desistir. Nesses momentos, olhava pela sacada a imagem dela e me revigorava. Ninguém podia me ajudar a fazer aquilo porque há determinadas atitudes que devemos ter para sobreviver ou para viver melhor. Não dava mais para esperar. Sentia aquele cheiro maravilhoso e dentro de mim parecia ter dado uma reviravolta. Corri. Desci as escadas apavorado e vendo-a linda  e solitária àquelas horas parei-me  em frente a ela e a envolvi lentamente numa faixa cujo texto eu mesmo escrevi. Os meus escritos foram tirados d’alma devido ao amor que nutria por ela.

Cada vez que lia aquelas poucas linhas, me sentia cumpridor de uma missão, porque elas diziam: Não corte uma árvore. Principalmente esta que perfuma o bairro e faz sombra na praça, lugar onde as famílias passam as tardes com seus filhos e animais.

Eu fiquei tão alegre depois do que fiz. Foi como se eu tivesse salvado alguém da morte e o melhor é que naquela manhã, muitas pessoas estavam lendo a faixa e se fraternizaram com a dama da noite e mais e mais faixas foram aparecendo. O que estou contando ocorreu há três anos e a bela e frondosa árvore ainda está na praça e se encontra muito mais cuidada, ganhou novos admiradores e floresce muito mais que antes. E eu continuo apaixonado. Imaginem se eu não tivesse escrito aquela faixa, hein? (E.S.L)

 

TEXTO NARRATIVO

                O texto narrativo é o primeiro gênero que a criança tem contato. Você se lembra das histórias que sua mãe contava para você dormir ou aquelas histórias contadas pelos seus avós nas varandas quando havia visita em casa? Pois é.  Muitas histórias são passadas de geração em geração. Recordou-se de uma?

Bem, esse tipo de literatura é de fácil assimilação porque na maioria das vezes serve para entreter os leitores. Alguns exemplos de texto narrativos são o romance, as crônicas, as novelas, as fábulas e os contos.

 

Para compor a estrutura da narrativa temos:

 

– Apresentação –  conhecida como introdução ou parte inicial, que é o momento em que o autor do texto apresenta as personagens, o local onde acontecem os fatos e o tempo (cronológico ou psicológico);

– Desenvolvimento – Momento em que o foco maior se dá em torno das ações das personagens;

– Clímax – Momento “up” da narrativa;

– Desfecho – Conhecido como conclusão, é o famoso final da história; é a hora em que tudo se resolve.

 

Dentro da estrutura da narrativa existem elementos essenciais, tais como:

 

 – Narrador – Aquele que narra a história. Na Literatura há três tipos: Narrador Onisciente, Narrador Personagem e Narrador Observador;

– Enredo – Trata-se da trama em que se desenvolvem as ações. O enredo se classifica em: enredo linear, enredo não-linear, enredo psicológico e enredo cronológico;

– Personagens – São as pessoas que compõem a história. São as personagens principais (protagonistas e antagonistas) e personagens secundárias (adjuvante e coadjuvante);

– Tempo – É uma fração de tempo/marcação dentro da narrativa (uma data, período) e pode ser cronológico ou psicológico;

-Espaço – O local onde a narrativa se desenvolve. E pode ser um ambiente físico, psicológico ou social.

 

Tipos de narrador

 

Foco narrativo é a denominação comumente dada aos tipos de narradores:

-Narrador Personagem (1ª pessoa – Eu) – Quando o narrador é uma personagem, participando das ações;

Narrador Observador – 3ª pessoa (ele/eles) – Narrador que sabe tudo o que acontece sobre o enredo e sobre as personagens, mas não participa dos acontecimentos;

Narrador Onisciente – Sabe tudo sobre os acontecimentos e sobre as personagens. O foco narrativo é em 3ª pessoa, porém, é em 1ª pessoa que apresenta o fluxo de pensamento da personagem.

A LÍNGUA PORTUGUESA E A INSERÇÃO SOCIAL

Considerando a importância da Língua Portuguesa em sua vasta amplitude para o desenvolvimento do intelecto e comportamento do ser humano, é necessário instigar as crianças e jovens em idade escolar a refletirem sobre o fato de que quanto mais conhecerem e se adequarem ao processo de mudanças no contexto ao qual estão inseridos, mais desenvolverão Habilidades e Competências imprescindíveis para sua evolução humanística enquanto cidadão nato. Um quesito de extrema importância para alcançar patamares mais elevados é saber usar a Língua de acordo com a situação imediata, um elemento essencial para o engajamento dos estudantes no mundo do trabalho. A esse respeito, Bakhtin explica:

Enquanto falo, sempre levo em conta o fundo aperceptivo sobre o qual minha fala será recebida pelo destinatário: o grau de informação que ele tem da situação, seus conhecimentos especializados na área de determinada comunicação cultural, suas opiniões e suas convicções, seus preconceitos (de meu ponto de vista), suas simpatias e antipatias, etc.; pois é isso que condicionará sua compreensão responsiva de meu enunciado. Esses fatores determinarão a escolha do gênero do enunciado, a escolha dos procedimentos composicionais e, por fim, a escolha dos recursos linguísticos, ou seja, o estilo do meu enunciado (BAKHTIN, 2000a, p.321).

Por meio da adequação da linguagem ocorre o entrosamento do ser social porque à medida que o ser interage dentro de diferentes práticas sociais como, por exemplo, numa conversa entre familiares, numa palestra específica de determinada área do conhecimento, na escrita de um poema, dentre outras, o modo como se expressa é a forma de significar o seu mundo e o seu entorno. A convivência e inter-relacionamento com o mundo ao redor proporciona diversos momentos de leituras/escritas verbais, não verbais, simbólicas e estratégicas em que é essencial utilizar determinadas Competências e Habilidades que os contextos linguísticos, por meio de textos variados, assim exigem. Para tanto,  “o funcionamento da língua e da literatura são, então,  realidades (intersemióticas)”, ou seja, todas as manifestações linguísticas de uma sociedade podem ser estudadas dentro de seus aspectos intrínsecos e, para seguir um estudo condizente com a realidade contextual de determinado local, por exemplo, é importante que o estudante mantenha contato com uma variedade de gêneros textuais que possibilitem a ele perceber os usos da oralidade, dos vícios linguísticos, dos usos formais e informais, das variantes regionais, quer dizer, dos fatores sociais, geográficos e históricos, porque assim, terá condições de seguir os degraus de conhecimento adequados para sua idade e Ano/Série, para assim, saber posicionar-se em quaisquer situações de escrita e comunicações sociais. Dentro dessa perspectiva de significação particular dos usos da Língua em seus mais diferentes aspectos, e a partir das idiossincrasias inerentes ao ser humano, alguns aspectos do cotidiano social e, principalmente, da rotina escolar colaboram para que os Professores deem atenção devida a algumas situações preocupantes, como por exemplo, a escrita formal da Língua Portuguesa no contexto escolar. A formalidade da Língua Mãe é necessária para o mercado de trabalho, mas com o advento das redes sociais, é comum que haja a confusão entre as variantes da Língua pelos alunos. Nesse sentido, o professor desempenha uma função primordial na questão do incentivo à aprendizagem dos usos da Língua materna porque representa uma pessoa em quem os alunos aprendem a respeitar e a confiar, não somente dentro da sala de aula, como em todo o espaço escolar. ( Escrito por E.S.L)