Luis Fernando Veríssimo

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  Luis Fernando Verissimo nasceu em 26 de setembro de 1936 em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. É o escritor que mais vende livros no Brasil.

O trabalho do autor também é conhecido na TV, que adaptou para minissérie o livro Comédias da Vida Privada. O programa recebeu o prêmio da crítica como o melhor da TV brasileira.

É filho do escritor Erico Verissimo e Mafalda Verissimo. De 1943 a 45, Erico morou com a família nos Estados Unidos, onde lecionou na Universidade de Berkeley, na Califórnia. Atualmente, o autor escreve para os jornais Zero Hora, O Estado de São Paulo e O Globo. Criou personagens As Cobras, cujas tiras de quadrinhos são publicadas em diversos jornais.

Em 1995, o livro O Analista de Bagé, lançado em 81, chegou à centésima edição. Algumas de suas crônicas foram publicadas nos Estados Unidos e na França em coletâneas de autores brasileiros. É também conhecido pelas pitadas de humor que dão aos seus textos uma característica peculiar.

 

Obras do autor: A Mesa Voadora – 1978, Ed Mort e Outras Histórias – 1979, Sexo na Cabeça – 1980, O Analista de Bagé – 1981 (100.ª edição em 1995), Outras do Analista de Bagé – 1982, O Analista de Bagé em Quadrinhos – 1983, Ed Mort Procurando o Silva – 1985, Ed Mort em Disneyworld Blues – 1987, O Jardim do Diabo – 1988, Ed Mort com a Mão no Milhão – 1988, Ed Mort em Conexão Nazista – 1989, Traçando Nova York – 1991, Traçando Paris – 1992, O Suicida e o Computador – 1992, Pai Não Entende Nada – 1993, Traçando Roma – 1993, Comédias da Vida Privada – 1994, Traçando Tóquio – 1995, Comédias da Vida Pública – 1895, Comédias da Vida Privada – 1996, Novas Comédias da Vida Privada – 1996.

 

 A partir do texto de Veríssimo, sugerimos uma atividade de leitura e compreensão.

 

PNEU FURADO
O carro estava encostado no meio-fio, com um pneu furado. De pé ao lado do carro, olhando desconsoladamente para o pneu, uma moça muito bonitinha.
Tão bonitinha que atrás parou outro carro e dele desceu um homem dizendo
“Pode deixar”. Ele trocaria o pneu.
– Você tem macaco? – perguntou o homem.
– Não – respondeu a moça.
– Tudo bem, eu tenho – disse o homem – Você tem estepe?
– Não – disse a moça.
– Vamos usar o meu – disse o homem.
E pôs-se a trabalhar, trocando o pneu, sob o olhar da moça.
Terminou no momento em que chegava o ônibus que a moça estava esperando. Ele ficou ali, suando, de boca aberta, vendo o ônibus se afastar.
Dali a pouco chegou o dono do carro.
– Puxa, você trocou o pneu pra mim. Muito obrigado.
– É. Eu … Eu não posso ver pneu furado. Tenho que trocar.

– Coisa estranha.

– É uma compulsão. Sei lá.

 

1ª – Quantos personagens participam da ação? Quais?

 

2ª – Qual era a principal intenção do homem ao trocar o pneu do carro?

 

 

3ª – O homem que trocou o pneu do carro conseguiu seu objetivo? Por quê?

 

 

4ª – Marque o trecho que demonstra que o homem ficou surpreendido:

(  ) tenho que trocar o pneu;         (  ) Pode deixar que eu troco o pneu;        (  ) Ele ficou suando, de boca aberta.

 

5ª – Como se sentiu o verdadeiro dono do carro, ao ver que o homem tinha trocado o pneu?

 

6ª – No trecho “- É. Eu… Eu não posso ver pneu furado. Tenho que trocar.”, a reticência possui a função de demonstrar que o homem:

(  ) sabia o que falar;                  (  ) fez uma pergunta;                 (  ) ficou na dúvida sobre o que falar.

 

7ª – Você acha que a moça não revelou que não era a dona do carro por inocência ou foi de propósito? Explique.

Leitura Intertextual

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EPITÁFIO (Vinícius de Moraes)


Aqui jaz o Sol
Que criou a aurora
E deu luz ao dia
E apascentou a tarde
O mágico pastor
De mãos luminosas
Que fecundou as rosas
E as despetalou.Aqui jaz o Sol
O andrógino meigo
E violento, que
Possuiu a forma
De todas as mulheres
E morreu no mar.

Epitáfio (Titãs)

 Devia ter amado mais
Ter chorado mais
Ter visto o sol nascer
Devia ter arriscado mais
E até errado mais
Ter feito o que eu queria fazer
Queria ter aceitado
As pessoas como elas são

 Cada um sabe a alegria

E a dor que traz no coração

O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar distraído
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar

Devia ter complicado menos
Trabalhado menos
Ter visto o sol se pôr
Devia ter me importado menos
Com problemas pequenos
Ter morrido de amor

Queria ter aceitado
A vida como ela é
A cada um cabe alegrias
E a tristeza que vier

O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar distraído
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar

Devia ter complicado menos
Trabalhado menos
Ter visto o sol se pôr

Quando um texto possui elementos que dialogam sobremaneira com outro texto, dizemos que os mesmos possuem uma relação intertextual. Esses elementos são variados: podem se referir ao conteúdo ou à forma.

Segundo Koch (2007), a intertextualidade temática é encontrada entre textos científicos pertencentes a uma mesma área do saber ou corrente de pensamento, que partilham temas e têm conceitos e terminologia próprios, os quais já aparecem definidos no interior dessa área ou corrente teórica .    

Nos textos acima, percebemos a ocorrência da intertextualidade temática uma vez que tanto o poema quanto a letra da música tratam do fim da vida, ou seja, da morte. Há uma relação que aproxima os dois e que pode ser discutida e explorada numa roda de conversa.

Projeto (modelo)

*PROJETO (título)

*Executor: Nome dos executores

*Introdução: Descrição do projeto e suas bases.

*Objetivos: Benefícios proporcionados (didáticos, de integração, etc.)

*Metodologia: Descrição organizacional do projeto.
– Espaço utilizado*
– Público alvo*
– Quantidade de pessoas
– Materiais utilizados*

CRONOGRAMA DE ATIVIDADES

 

Atividades Março Abril Maio Junho Julho Agosto Setembro Outubro Novembro
1
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4
5
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7
8
9

 

 

 

Brevidade

É triste a noite quando repousa a claridade,
e assimétrica a igualdade entre os pares
que se dão as mãos pela primeira
vez… brevidade.
Se roçam, se contorcem, esquivando-se
da conversa demorada.
É comovente o encontro com a realidade
depois que desperta a luz,
manancial de possibilidades. (E.S.L)

O Texto Poético

Os primeiros elementos que o leitor pensa quando escuta falar em poemas são as rimas, as estrofes e os versos, por isso o estudo da estrutura textual  é fundamental para qualquer texto,  devendo ser respeitada, principalmente no momento da escrita. Outros elementos marcantes  são as figuras de linguagem que tradicionalmente embelezam a escrita, uma vez que possuem significados profundos para os efeitos de sentido oriundos da leitura. Por conseguinte, a linguagem utilizada para compor o texto poético é peculiar, identificando subjetividades e sentimentalismos vários, características do aspecto imaterial, ou seja, da poesia. Há poesia então, num poema, num texto narrativo, em anúncios publicitários, em obras de arte, dentre outros.

Estrutura do texto poético

 Verso – cada uma das linhas do poema.

 Estrofe –  conjunto de versos separadas por um espaço em branco. As estrofes classificam-se de acordo com o número de versos que as constituem. Um verso que não rima designa-se verso solto ou verso branco e contemporaneamente, é bastante utilizado pelos poetas.

 Métrica – medida de um verso, que corresponde ao seu número de sílabas métricas.

Para contar o número de sílabas métricas, contamos as suas sílabas gramaticais até à última sílaba tônica.

Sílabas gramaticais – terminam e começam em vogais.  São pronunciadas numa só emissão de som, contam apenas como uma sílaba métrica. Por isso, o número de sílabas métricas nem sempre corresponde ao número de sílabas gramaticais. Os versos classificam-se tendo em conta o número de sílabas métricas que possuem.

Há poemas de formas fixas, ou seja, obedecem a um número exato de versos, de estrofes e de rimas. Dentre os quais elencamos:

O acróstico, que é composto de uma só estrofe cujas letras iniciais formam o nome de uma pessoa ou de algo (um objeto, uma cidade, uma paisagem, por exemplo.);

A balada, que é composta de quatro estrofes: três oitavas ou três décimas (oito ou dez versos) e uma quadra ou quintilha (quatro ou cinco versos);

O haicai, poema de origem japonesa, composto por uma estrofe com três versos: o primeiro com cinco sílabas (redondilha menor) e o segundo com sete sílabas (redondilha maior);

O soneto, forma composta por catorze versos divididos em dois quartetos e dois tercetos ou, ainda, por uma estrofe com doze versos e outra com dois versos;

A trova, que é composta de uma estrofe de quatro versos com sete sílabas poéticas (redondilha maior).

 

Exemplo de poema que faz parte dos cadernos do São Paulo Faz Escola

O que vês, trovador?-Eu vejo a lua
Que sem lavor a face ali passeia;
No azul do firmamento inda é mais pálida
Que em cinzas do fogão uma candeia.

O que vês, trovador?-No esguio tronco
Vejo erguer-se o chinó de uma nogueira.
Além se entorna a luz sobre um rochedo
Tão liso como um pau-de-cabeleira.

Nas praias lisas a maré enchente
S’espraia cintilante d’ardentia
Em vez de aromas as doiradas ondas
Respiram efluviosa maresia!

O que vês, trovador? – No céu formoso
Ao sopro dos favônios feiticeiros
Eu vejo-e tremo de paixão ao vê-las-
As nuvens a dormir, como carneiros.

E vejo além, na sombra do horizonte,
Como viúva moça envolta em luto,
Brilhando em nuvem negra estrela viva
Como na treva a ponta de um charuto.

Teu romantismo bebo, ó minha lua,
A teus raios divinos me abandono,
Torno-me vaporoso, e só de ver-te
Eu sinto os lábios meus se abrir de sono. (Da série Spleen e charutos, segunda parte da Lira dos Vinte anos)

Álvares de Azevedo faz parte da Segunda Geração do Modernismo e é um dos destaques da época. Foi um poeta romântico e utilizou-se da poesia para revelar seu íntimo e pessoal modo de ver os acontecimentos. Sua poesia evidencia o sentimentalismo, a morbidez e o pessimismo próprios do contexto daquela época. O livro onde está contido o poema Luar de Verão é intitulado “Lira dos Vinte Anos”, e se encontra na segunda parte do livro. O leitor terá contato com textos carregados de melancolia e uma visão pessimista sobre as situações da vida. Além de uma adoração pela noite, pelo sofrimento e pelas temáticas mórbidas que retratam o medo do amor (um sentimento fantasiado), recheado de imagens oriundas de um desejo impossível de acontecer na realidade do eu-lírico, que vive envolto à solidão, sonhos e idealizações.

 Análise do poema LUAR DE VERÃO  (Álvares de Azevedo)

O poema trata de um diálogo entre o trovador e alguém que o questiona sobre o que vê. Na primeira estrofe, ao responder à pergunta “O que vês, trovador?” É nítido um olhar sentimentalista à descrição da lua que, segundo ele, mostra sua face ao passear no céu sem esforços (personificação do satélite natural do Planeta). Também diz que, no firmamento, ela está ainda mais pálida e percebe tal palidez como as cinzas de uma candeia no fogareiro. A lua é um elemento bem quisto pelos românticos por ser inalcançável e por ter uma cor  pálida, neutra ou indefinível para alguns momentos. Na segunda estrofe, há o questionamento sobre o que vê o trovador. Percebemos então, a descrição, dentre outros, da luz em um rochedo. Na estrofe seguinte, continua falando sobre o brilho das marés, das praias.  Também mostra as ondas douradas como se estas respirassem maresia e não aromas. O eu-lírico  idolatra a natureza do local de onde poetiza. Entre metáforas, personificações e comparações a poesia vai desvendando um mundo inalcançável.