Verão (Ferreira Gullar) em sequência didática

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Sequência Didática de Língua Portuguesa

Nome da Escola:­­­­­­­­­­­ ______________________________

Área de conhecimento Disciplina – Língua Portuguesa

Professor: ­­­________________              Série_______  Turma_________

Texto: Verão de Ferreira Gullar

Tema: Passagem do tempo/ Efemeridade

Conteúdos abordados: Figuras de Linguagem

Objetivos: Ler e compreender para refletir e fruir desenvolvendo ou  aprimorando a competência leitora por meio de:

-Reconhecer recursos expressivos: Figuras de Linguagem (metáfora, metonímia, antítese, personificação);

-Localizar informação explícita em um texto.

Desenvolvimento:

Tempo: 2 h/aula

1º passo: Antes da leitura: Explorar o título do texto:

Qual é o título do texto?

O que se espera de um texto chamado Verão?

Conhecem outro texto do autor?

  2º Passo:     Apresentação do Autor Ferreira Gullar

Ferreira Gullar (1930-2016), pseudônimo de José de Ribamar Ferreira, foi um poeta, crítico de arte e ensaísta brasileiro. Abriu caminho para a “Poesia Concreta” com o livro “A Luta Corporal”. Organizou e liderou o movimento literário “Neoconcreto”. Recebeu o Prêmio Camões, em 2010. Em 2014, foi eleito para a Academia Brasileira de Letras. Nasceu em São Luís, Maranhão, no dia 10 de setembro de 1930. Iniciou seus estudos em sua cidade natal. Com 13 anos passou a se dedicar à poesia. Com 18 anos começou a assinar Ferreira Gullar e publicou seu primeiro livro de poesias intitulado “Um Pouco Acima do Chão”. Mudou-se para o Rio de Janeiro, onde atuou como jornalista. Participou do Centro Popular de Cultura da extinta União Nacional do Estudante. O autor iniciou sua obra sob os princípios da poesia concreta. No dia 9 de outubro de 2014, foi eleito para a cadeira nº 37 da Academia Brasileira de Letras. Em dezembro desse mesmo ano realizou a exposição “A Revelação do Avesso” onde apresentou 30 quadros feitos a partir de colagens com papel colorido, que foram produzidas como passatempo. A mostra foi acompanhada por um livro com fotos da coleção completa e também com poemas do autor que faleceu no Rio de Janeiro, no dia 4 de dezembro de 2016.

 

  3º Passo

O Professor coloca o Título, o nome do autor na lousa e as duas primeiras estrofes da poesia e propõe uma leitura silenciosa e após leitura pergunta:

O que você entendeu da primeira e segunda estrofes do texto?

Em seguida, o Professor escreve as demais estrofes na lousa (ou as entrega xerocopiadas) e faz a  mesma pergunta: O que você entendeu da leitura das estrofes tal….?

4º passo:

Após a leitura de todas as estrofes pergunta-se

Qual o tema do texto?

  Passagem ou efemeridade do tempo.

Sobre a estrutura do texto  poético (construção coletiva)

  (O texto é composto  por 40 versos, distribuídos em 10 estrofes de 4 versos cada).

De acordo com o texto por que fevereiro pode ser comparado a uma paixão?

 Porque é o mês mais curto do ano e a maioria das paixões têm curta duração.

Tempo: 2 h/aula

 Conceito linguístico:

Metáfora é uma figura de linguagem. É um recurso semântico, Quer dizer que é um meio utilizado por quem escreve, ou por quem fala, para melhorar a expressividade de um texto literário. Quando é empregada em uma frase, faz com que esta se torne mais eloquente para os que a leem e a ouvem. (livro didático, vídeos, charges, poemas)

Exemplos:

-Aquele rapaz é um “gato”. –  A metáfora ocorre porque implicitamente o rapaz é comparado a um gato. Quer dizer que é encantador, fofinho, bonito, etc.

-Ela me encarou e seu olhar era “pedra”. – A dureza e rigidez da pedra está sendo atribuída ao olhar. Podemos observar que a palavra pedra está sendo usada de forma figurativa e não no sentido literal da palavra.

-Esta questão é apenas a” ponta do iceberg”. (Quer dizer que a questão é pequena diante de outras.)

-Ela é uma “formiga” para doces. (Quer dizer que ela adora doces como se fosse formiga.

Tempo: 2h/aula

Atividades complementares sobre metáfora:

Leia o poema e responda à questão.

 Verão – Ferreira Gullar

Este fevereiro azul

como a chama da paixão

nascido com a morte certa

com prevista duração

 

deflagra suas manhãs

sobre as montanhas e o mar

com o desatino de tudo

que está para se acabar

 

A carne de fevereiro

tem o sabor suicida

de coisa que está vivendo

vivendo mas já perdida

 

Mas como tudo que vive

não desiste de viver,

fevereiro não desiste:

vai morrer, não quer morrer,

 

E a luta de resistência

se trava em todo lugar:

por cima dos edifícios

por sobre as águas do mar.

 

O vento que empurra a tarde

arrasta a fera ferida,

rasga-lhe o corpo de nuvens,

dessangra-a sobre a

 

Avenida Vieira Souto e o Arpoador

numa ampla hemorragia.

Suja de sangue as montanhas,

tinge as águas da baía.

 

E nesse esquartejamento

a que outros chamam verão,

fevereiro ainda agoniza

resiste mordendo o chão.

 

Sim, fevereiro resiste

como uma fera ferida.

É essa esperança doida

que é o próprio nome da vida.

 

Vai morrer, não quer morrer.

Se apega a tudo que existe:

na areia, no mar, na relva,

no meu coração – resiste.

 

Questão 1

Metáfora é uma forma de comparação. Marque a alternativa em que ocorre um exemplo

de metáfora.

 

(   ) Este fevereiro azul

como a chama da paixão

(   ) Mas como tudo que vive

não desiste de viver

(   ) E a luta de resistência

se trava em todo lugar

(   ) A carne de fevereiro

tem o sabor suicida

 

Após assinalar a alternativa correta, explique o motivo de sua escolha.

(Professor é importante que o estudante saiba justificar o motivo da escolha de determinada alternativa)

Questão aberta

Leia a estrofe abaixo:

 

“Mas como tudo que vive

não desiste de viver,

fevereiro não desiste:

vai morrer, não quer morrer”.

 

Existem situações na vida que você pensa em desistir? Comente.

Produto final/avaliação: O professor elabora uma avaliação com textos onde se configure a metáfora e aplica em sala de aula, fazendo recuperação contínua sempre.

Referências:

Apostila São Paulo Faz escola, 8º ano.

“Moderna gramática portuguesa”, de Evanildo Bechara (Editora Nova Fronteira)

 

O que são Sequência Didáticas?

livros-abertos

Sequência didática e ensino de gêneros textuais

Publicação do Escrevendo o Futuro

Autora: Heloísa Amaral
Mestre em educação e pesquisadora do Cenpec

O que são sequências didáticas?

As sequências didáticas são um conjunto de atividades ligadas entre si, planejadas para ensinar um conteúdo, etapa por etapa. Organizadas de acordo com os objetivos que o professor quer alcançar para a aprendizagem de seus alunos, elas envolvem atividades de aprendizagem e de avaliação.

São exemplos de sequências didáticas para o ensino de Língua Portuguesa as oficinas dos fascículos distribuídos nas três edições do Prêmio Escrevendo o Futuro. Nas edições 2004 e 2006, são: Pontos de vistaPoetas da escola e Se bem me lembro… Essas sequências orientam o professor para o trabalho com os seguintes gêneros de texto: artigo de opinião, poesia e memória.

As sequências didáticas são usadas somente para o ensino de Língua Portuguesa?

Não. Podem e devem ser usadas em qualquer disciplina ou conteúdo, pois auxiliam o professor a organizar o trabalho na sala de aula de forma gradual, partindo de níveis de conhecimento que os alunos já dominam para chegar aos níveis que eles precisam dominar. Aliás, o professor certamente já faz isso, talvez sem dar esse nome.

Por que usar sequências didáticas ao ensinar Língua Portuguesa?

Para ensinar os alunos a dominar um gênero de texto de forma gradual, passo a passo. Ao organizar uma sequência didática, o professor pode planejar etapas do trabalho com os alunos, de modo a explorar diversos exemplares desse gênero, estudar as suas características próprias e praticar aspectos de sua escrita antes de propor uma produção escrita final.

Outra vantagem desse tipo de trabalho é que leitura, escrita, oralidade e aspectos gramaticais são trabalhados em conjunto, o que faz mais sentido para quem aprende.

O que é preciso para realizar sequências didáticas para os diferentes gêneros textuais?

É preciso ter alguns conhecimentos sobre o gênero que se quer ensinar e conhecer bem o grau de aprendizagem que os alunos já têm desse gênero. Isso é necessário para que a sequência didática seja organizada de tal maneira que não fique nem muito fácil, o que desestimulará os alunos porque não encontrarão desafios, nem muito difícil, o que poderá desestimulá-los a iniciar o trabalho e envolver-se com as atividades.

Outra necessidade desse tipo de trabalho é a realização de atividades em duplas e grupos, para que os alunos possam trocar conhecimentos e auxiliar uns aos outros.

O Grêmio Estudantil

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Grêmio Estudantil é a organização dos alunos da escola. Ele é formado por estudantes, que são responsáveis pelo desenvolvimento de atividades culturais, esportivas, sociais e de cidadania. Atualmente, a rede estadual paulista conta com mais de três mil agremiações formadas por estudantes.

Além de desenvolver projetos em diversas áreas, os grupos colaboram também para a gestão das escolas, auxiliando diretores e coordenadores pedagógicos a aprimorar a gestão e o aprendizado em sala de aula.

Confira perguntas e respostas sobre o Grêmio Estudantil em sua escola:

1) Quem pode participar de um Grêmio Estudantil?

Todos os alunos matriculados na escola podem fazer parte de um Grêmio Estudantil.

2) Em que época a eleição dos Grêmios deve ser realizada?

As eleições devem ser realizadas sempre no começo do ano letivo. O objetivo é garantir uma maior participação dos estudantes que estão entrando na escola e do jovem que está no último ano.

3) Como funciona o processo eleitoral de um Grêmio?

Para o processo eleitoral, os alunos terão que escolher dois representantes por sala, que irão compor o Conselho de Representantes da chapa. Um professor deve organizar este processo. Em seguida, haverá a realização de uma Assembleia Geral com participação de todos os estudantes da unidade de ensino, no qual a diretoria anterior do grêmio prestará contas de suas ações na escola. Na Assembleia, também será apresentado o conselho com os novos representantes do grêmio e escolhida a nova comissão eleitoral, que se reunirá com um representante da equipe da unidade escolar para discussão do estatuto que irá reger a chapa. O estatuto deverá ser apresentado, já com o calendário definido para a abertura do processo eleitoral, que deve ser aprovado pelo Conselho de Representantes.

Em seguida, acontece a divulgação da abertura do processo eleitoral para todos os estudantes. Caberá ao professor mediador ou gestor responsável pelos grêmios de cada escola promover reuniões para informar os alunos gremistas sobre as funções de cada membro do Grêmio. Cada chapa deve enviar sua inscrição para a comissão eleitoral de acordo com calendário de organização para o processo eleitoral.

A partir desse momento, as chapas inscritas devem iniciar a campanha eleitoral na escola, apresentando as propostas e projetos para a melhoria da unidade de ensino, de acordo com as regras determinadas pela comissão eleitoral. A eleição para definir os grêmios que representarão as escolas acontece em seguida. O vencedor será divulgado no dia posterior a eleição, com a posse da diretoria gremista na escola.

3) O Grêmio Estudantil tem direito a uma sala na unidade escolar?

Caso a unidade escolar tenha salas de aula sobrando, é indicado que a direção separe uma para as reuniões da agremiação. Entretanto, caso a escola tenha todas as suas salas de aula preenchidas, Grêmio, direção e professores devem entrar num consenso para ver qual o melhor local e horário para que as reuniões da agremiação ocorram.

4) Qual a autonomia do Grêmio na escola?

O Grêmio tem autonomia para elaborar propostas, organizar e sugerir atividades para a escola. Para executá-las, no entanto, o grupo deve contar com o apoio e a autorização da direção ou do Conselho de Escola. O grêmio tem direito de participar da organização do calendário escolar e deve articular e negociar os interesses junto à direção.

5) O Grêmio participa de quais reuniões?

O Grêmio tem direito de participar das reuniões do Conselho de Escola, da APM e dos encontros de Representantes de Classe, pois aí são discutidos e decididos muitos assuntos de interesse dos estudantes. Mas para que os representantes do Grêmio, o coordenador geral e o coordenador de relações acadêmicas possam participar dessas reuniões, é preciso que isso conste no Estatuto do Grêmio. No caso da reunião da APM, o representante dos alunos deve ter mais de 18 anos.

6) Os integrantes do Grêmio podem sair da sala de aula quando houver necessidade?

A orientação dada aos Grêmios é que evitem marcar reuniões e atividades em horários de aula. Quanto mais envolvidos com as disciplinas, com os professores e com a escola em geral, mais o Grêmio saberá o que propor e aprimorar. Em casos urgentes, com autorização do professor ou da direção da escola, é possível a saída de um membro. (Disponível em http://www.educacao.sp.gov.br/noticias/entenda-o-papel-dos-gremios-estudantis-nas-escolas-da-rede-e-tire-todas-suas-duvidas/)

Pensando em toda a dinâmica e atuação do grêmio na Escola é que indicamos como leitura para todas as séries e anos do Ensino Fundamental o Livro da coleção Os Karas, a famosa série infantojuvenil que reúne os volumes A droga da obediência (1984) de Pedro Bandeira. O livro mostra o dia-a-dia de um grupo de alunos que precisam lidar com mistérios e situações-problemas constantemente. Fica a dica de leitura para aqueles que gostam de aventura e mistério.

http://www.bloglivroson-line.com/2018/01/a-droga-da-obediencia.html

 

O Alienista (Machado de Assis)

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Machado de Assis é um importante escritor brasileiro não só porque escreveu diversos gêneros  textuais, mas também porque influenciou outros autores que se tornaram famosos dentro da literatura do nosso País, como por exemplo, Lima Barreto, Olavo Bilac e Carlos Drummond de Andrade. Nasceu no Rio de Janeiro em 21 de Junho de 1839 e dentre seus grandes sucessos, os livros “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, “Dom Casmurro” e “O Alienista” se destacaram e são estudados até os dias atuais. Para este momento de estudo, focalizamos o livro “O alienista”, que é uma novela publicada em 1882 e incorporada ao volume Papéis Avulsos. Fazem parte do enredo os personagens Dr. Simão Bacamarte, Martim Brito, Dona Evarista, Crispim, Porfírio e João Pina.

O que é uma novela Literária?

Aristóteles em seu livro Arte Poética definiu alguns grupos para classificar  os textos, como por exemplo, narrativo, lírico e dramático. Assim, estabeleceu-se a sistematização dos textos conforme suas peculiaridades, fato que propiciou estudos mais certeiros no âmbito da Literatura. No entanto, o estudo dos gêneros é um processo minucioso e por isso, há que se levar em consideração “para cada gênero uma estrutura”. Há uma confusão entre a novela, o conto e o romance. Mas para que as dúvidas se tornem menos confusas, é bom que o leitor saiba: a novela é uma prosa menor que o romance e maior que o conto. Sendo assim, o conto não apresenta vários enredos como a novela. Há uma sequência de acontecimentos, o tempo é cronometrado pelo relógio ou calendário, o tempo e o espaço podem mudar de acordo com os ambientes em que se encontram os personagens, seres que podem surgir ou desaparecer da história. Bem, na novela o enredo as ações, acontecimentos são mais rápidos. A linguagem acompanha o tempo, quer dizer, se a novela ocorreu em 1830, o modo de falar daquela época é transmitido ao leitor ou telespectador, uma vez que a novela é um gênero apreciado entre os povos de todo o mundo.

Resumo do Livro: A palavra alienista possui como um dos seus significados “médico especialista em doenças mentais”. E no livro Alienista o leitor terá contato com a história da trajetória de vida de Simão Bacamarte, um médico que estudou Psiquiatria na Espanha e em Portugal e especializou-se  nos graus da loucura, classificando-os.  Quando retornou ao Brasil, instalou-se na vila de Itaguaí, onde inaugura a “Casa Verde”,  um hospício onde pessoas eram utilizadas para realizar seus experimentos sobre a loucura. Sem motivos concretos, ele começa a internar os habitantes que considera desequilibrados e loucos. No decorrer dos fatos, um poeta foi internado por usar metáforas em suas obras, pessoas vaidosas, supersticiosas, bajuladoras e outras cujos vícios foram percebidos e analisados pelo médico também foram levadas à reclusão, assim como  D. Evarista, sua esposa,  foi considerada louca porque começou a ficar indecisa. No início, a vila de Itaguaí apoiou as atitudes do Alienista, entretanto, os exageros cometidos por ele deram origem a uma revolta popular, intitulada rebelião dos canjicas, liderada pelo barbeiro Porfírio, que acaba vencendo, mas em seguida compreende a importância da Casa Verde e começa a apoiar Simão Bacamarte. Após isso, é feita uma intervenção militar e todos aqueles que se rebelaram são trancafiados no manicômio, trazendo de volta o prestígio do Alienista. Mas, Bacamarte começa a repensar sobre o montante de pessoas internadas em sua clínica e resolve mudar o seu método, invertendo os critérios de internação, passando internar os sinceros, leais, respeitosos e honestos, contudo, os germes do desequilíbrio mental ainda continuam a viver, porque já estavam presentes em toda a população. O Alienista então começa a analisar a situação e chega à conclusão de que é o único homem sadio de Itaguaí. Por conta disso, o mesmo internou-se na Casa Verde e faleceu meses depois; foi apelidado de “o louco da vila’ e homenageado post mortem.

 O início do Realismo

O Alienista é visto por alguns estudiosos da Literatura como o marco do Período Realista machadiano. No livro, a vida cotidiana e a conduta humana em si revelou motivos para ser mostrada e desvelada dentro de suas mais tenebrosas curiosidades. Em poucas páginas Machado mostra como as relações humanas vão se deteriorando ao longo da convivência e como os seres se relacionam munidos por interesses próprios.