Modernismo no Brasil

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       A Semana de Arte Moderna e o período entre 1922 e 1930 e é o ponto de partida do Modernismo brasileiro.
Se inicialmente os escritores modernistas dedicaram-se a romper com os modelos artísticos anteriores, principalmente a poesia parnasiana, a partir de 1930, em meio à efervescência política do Brasil e do mundo, começaram a surgir os escritores que foram responsáveis pela maturidade do movimento por aqui. Mário, Oswald e Bandeira continuaram escrevendo nesta época, mas surgiram muitos outros literatos importantes, como Murilo Mendes, Jorge de Lima, Cecília Meireles, Vinícius de Moraes, Carlos Drummond de Andrade, José Lins do Rego, Raquel de Queirós, Jorge Amado, Érico Veríssimo, Graciliano Ramos.

O segundo momento modernista, que vai de 1930 a 1945, é considerado a fase de consolidação do Modernismo brasileiro. Historicamente, trata-se de um período político conturbado: no Brasil, o governo Vargas; no mundo, a Segunda Guerra Mundial.

        Na poesia, do ponto de vista formal, o verso livre e o verso branco continuaram a ser usados, mas de modo menos intenso, enquanto a linguagem coloquial passou a se misturar aos registros mais solenes. Na prosa, a geração de 1930 não deixou de lado as novidades artísticas cunhadas pela Semana de 1922, mas misturaram-nas a uma crítica social mais sistemática.

Os romancistas do período, por professarem uma preocupação social mais apurada do que a crítica social fragmentada e irônica dos modernistas de 1922, ficaram conhecidos como representantes do Neorrealismo na literatura brasileira. Dentre as principais vertentes desse movimento, destaca-se o regionalismo nordestino.
Jorge Amado (1912-2001) foi um escritor muito prolífico e, por muito tempo, o autor brasileiro mais conhecido no exterior. Ele escreveu mais de 30 obras, muitas delas adaptadas para a televisão e o cinema. Um dos seus livros mais importantes é Capitães da areia, de 1937.
Graciliano Ramos (1892-1953) foi um autor regionalista que usou a literatura como forma de protesto. A característica mais notável de sua obra, como se percebe principalmente em São Bernardo (1934) e em Vidas secas(1938), é a fusão da análise social com a psicológica, isto é, a mistura entre a denúncia das condições miseráveis de vida no Nordeste e os grandes dramas humanos. Por meio de uma linguagem direta e clara, Graciliano conseguiu renovar a maneira de compor romances no Brasil.
Carlos Drummond de Andrade (1902-1987), o grande poeta do período – e, para alguns estudiosos, o maior de toda a literatura brasileira –, apresenta quatro fases em sua produção poética: nos anos 1930, foi muito influenciado pelos ideais da Semana de 1922 (Alguma poesia, 1930); a partir de 1940, passou a discutir problemas sociais, motivado pela Segunda Guerra e pelo Estado Novo (A rosa do povo, 1945); com o fim do conflito e da ditadura de Vargas ele se interessou pela poesia reflexiva, recuperando uma sintaxe clássica (Claro enigma, 1951); e nos anos 1960, chegou a uma fase experimentalista (Lição de coisas, 1962).

Hoje enfatizemos o livro de Jorge Amado “Capitães de Areia” (1937) – O livro retrata meninos de rua que vivem num trapiche abandonado. São menores que vivem em situação precária. É notável o compromisso social em revelar o modo de vida dessas crianças, suas aventuras, medos e conflitos existenciais.

 

O regionalismo na Literatura Brasileira

 

 

vidas_secas_aldemir_martins-640x295O Brasil é um país regionalmente peculiar. Os viajantes sabem bem o que quero dizer. Por isso convido ao leitor pensar  na Literatura proveniente  desse imenso País. Não é fácil definir uma característica exclusiva, o que podemos deixar posto para este texto é:  a natureza humana costuma contar a realidade circundante. Fato que deu origem às histórias regionais do sertão, do engenho, das plantações de café, da migração e outras mais.

Destacamos, nesse contexto,  a Literatura de cordel que, mesmo tendo sido trazida para o  Brasil pelos portugueses, é uma produção recorrente no nordeste brasileiro que aparece mais frequentemente em feiras livres nos estados de Pernambuco, da Paraíba, do Rio Grande do Norte e do Ceará. É uma poesia ritmada e os cordelistas a declamam com ênfase para chamar a atenção do público e assim vender seu livretos. O poema de cordel geralmente traz à tona questões de cunho social,  educativos,  histórias do cangaço, dentre outros. Arievaldo Viana Lima e Cego Aderaldo são exemplos de cordelistas famosos.

Outra destaque da região nordeste é o livro Vidas Secas de Graciliano Ramos, publicado em 1938, na segunda fase do romantismo (1930). A obra mostra a busca de Fabiano e sua família por melhores condições de vida em outras paragens. O livro aparece em um momento de grande alvoroço político e econômico, tanto no Brasil como no mundo. No Brasil, Getúlio Vargas instaura o Estado Novo, momento em que novas leis e proibições começaram a fazer parte da rotina de vida do cidadão brasileiro. Os países europeus tentavam se recuperar dos abalos da primeira guerra. Na verdade, era um contexto de muitas mudanças no modo de agir e pensar socialmente. Nesse momento de transição, Vidas Secas surge mostrando a  realidade como ela era, sem adornos ou idealizações. Outra questão evidenciada no livro de Ramos é a linguagem regional, grafada como se falava na região daquela época. O sertanejo com voz sendo visto pelos olhos da literatura que, nesse momento, cumpriu sua função: denunciar e criticar  uma realidade existente: a exploração do homem e miséria do ser humano.

 

Análise do poema Verão de Ferreira Gullar

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Uma possível leitura para o poema de Gullar é a questão da passagem do tempo real e imaginária: a primeira, evidenciando a estação mais quente do ano, assim sendo, a cor dada ao mês ilustra os tempos de céu límpido e sol forte.  E a segunda, o momento das lembranças do eu poético em que se pode observar a certeza de que há um fim  próximo e inevitável. Para mostrar o conflito entre o tempo imaginário e o tempo real, ao longo do texto, o mês fevereiro aparece personificado “fevereiro ainda agoniza, resiste mordendo o chão”. O eu poético se utiliza da quantidade de dias do mês (28 dias; se bissexto 29 dias) e propõe uma ruptura mais drástica ao escrever “E nesse esquartejamento a que outros chamam verão”.

Mas além da ruptura em relação à quantidade de dias, existem outros pontos a se considerar, como por exemplo, as figuras de linguagem  enquanto um recurso estilístico. No texto, a metáfora reforça a efemeridade do tempo: “A carne de fevereiro tem o sabor suicida de coisa que está vivendo, vivendo mas já perdida”. Os dias do calendário passam em todos os lugares, no entanto, se no calendário o eu que poetiza sugere que o referido mês  “Vai morrer, não quer morrer. Em outros momentos, concorda  (fevereiro) “Se apega a tudo que existe: na areia, no mar, na relva, no meu coração – resiste”, quer dizer, seja lá o que foi que tenha acontecido, provavelmente foi em fevereiro e esta memória está viva e presente a ponto de ser contada pelo eu-lírico.