Menos do mesmo

Menos do mesmo invento no isolamento destes pensamentos.
O citrino rasga as frestas da janela.
Está dia ainda. Recordo.  
O amanhecer e seu falso frescor caluniam as sombras lá fora.
E pouco  cantarão os passarinhos pousados em seus ninhos.
Voarão porque participam do singelo existir.
Menos do mesmo invento porque há olhos dispostos e
uma boca em flecha desde um lugar remoto.
Arruado. Sem fim.

 

 

Haikai

colibri

Peguei este beija-flor na cozinha da minha casa. Eu fiquei impressionada por poder tocá-lo e sentir seu corpo que, por sinal, possui uma temperatura elevadíssima. Eu estava estudando sobre os Haikais…pequenas poesias de origem japonesa.

Em andanças

Revigora a beleza

 com o seu librar

Beija-flor

 

Palavras de um seguidor deste blog

Fazia tempo que não me aventurava na escrita. Escrever é um exercício que requer um conjunto de fatores intensos e necessários para a coesão e coerência das ideias. A Linguística Textual assim como a Teoria Literária já postularam o fato de que ao escrever deve-se atentar para a clareza do discurso, porque o pós-leitura se encarregará “daquilo que fica” em quem leu: dentre os quais cito a potencialização de elementos próprios do processo de entendimento que favorecem a elaboração de argumentos de crítica, de censura ou antagonismo e de empatia, porque “depois do ponto final, o texto já não é mais de quem o escreveu”(palavras de um seguidor deste blog). Se o texto já não é mais do autor e sim do leitor, cada  vez que um texto é  lido   e  colocado em evidência,  move-se portanto, para níveis mais avançados de leitura e compreensão, e pode ser discutido, estudado, criticado, esmiuçado, chegando a tornar-se temas de dissertações e teses (o sonho da maioria dos autores). Seguindo essa perspectiva, a obra, texto… atingiu um patamar de leitura privilegiado.

É fato que a relação com o modo e lugar de escrever mudou, e não “só se pode pensar e escrever sentado” (Gustave Flaubert),  existem outros meios de se captar as palavras e, por isso, há escritores que se enveredam nos mais diversos lugares para produzirem seus textos…os blogueiros que o digam, os cronistas também. Há quem prefira o silêncio de seu cômodo de escrever, como há aqueles que buscam na agitação e na pluralidade das ruas e lugares diversos  a famosa “inspiração”. E por causa dessas possibilidades,  me tornei escritora, seguidora  e fã de blogs, mantenho contato com “pessoas nem tão perto e nem tão longe”, pessoas estas que começaram a fazer parte da minha rotina de leitura quando abro o blog na “aba leitor” e participo de suas postagens curtindo, lendo, conhecendo,  comentando…refletindo.

E por que falamos sobre textos muito lidos  trago um conciso tópico sobre o livro “Vidas Secas” de Graciliano Ramos, exemplar literário que enfatiza as questões regionalistas de forma peculiar.  Meses atrás escrevi um texto sobre o Regionalismo Brasileiro. E hoje complemento o tema, pois, Vidas Secas é estudado nas séries finais do Ensino Médio e é bibliografia do Enem e de outros  vestibulares nacionais.

Vidas Secas foi traduzido para alguns idiomas, dentre eles o Inglês, o Espanhol e o Francês. O livro narra a trajetória dos retirantes, mais particularmente da família de Fabiano, representantes da tragédia social brasileira de fome e da miséria daquela época. Ramos conseguiu evidenciar a fusão entre os elementos externos (social) que se tornam internos (conteúdo/estrutura), e deste modo, o escritor eliminou da narrativa tudo o que não era essencial. Quer dizer, ele mostra no livro os retirantes e seu conflito com o meio e consigo mesmos de uma maneira real, sem ilusões.  A linguagem é coloquial,  aspecto que evidencia como é o falar das distintas regiões que povoam o Brasil.  Em outro aspecto, o narrador mostra uma imagem da degradação da personagem, ora através de comparantes do meio animal, ora do meio vegetal. Emprega também comparativos de natureza material como, por exemplo, um objeto integrado à realidade social do protagonista, conferindo-lhe desumanização, uma espécie de coisificação.

Leiam:

“Era como a bolandeira”. Uma roda do engenho de açúcar, uma peça na engrenagem dominada pela força de animais ou por força de um determinismo social. “O sertão mandaria para a cidade homens fortes, brutos, como Fabiano, Sinhá Vitória e os dois meninos”.

Há sempre mais o que escrever sobre uma obra literária, mas finalizo o Post com a seguinte reflexão:

O homem reflete o meio ou o meio é produto das ações do homem?

Bom dia a todos os leitores.

A voz

Hoje o dia está ainda mais propício para leituras. Esfriou bastante aqui na nossa região – até hoje não havíamos sentido o inverno deste ano. Ao abrir meu note dei de cara com uma pasta contendo alguns textos para reflexão. Este que postei abaixo faz parte de um dos muitos de Daisaku Ikeda,  um líder budista, escritor, poeta e educador japonês. Ikeda nasceu em Tóquio, Japão, no dia 2 de janeiro de 1928.

 Espero reflitam. Boa Leitura!!!

A Voz, mais do que qualquer coisa, manifesta a energia vital da pessoa. É por isso que o coração, o corpo e a própria vida podem ser transformadas dependendo da voz e da escolha das palavras.  O que outras pessoas pensam de você ou como a maioria delas o trata, estes não seriam assuntos do seu interesse. O importante é como você avalia a si mesmo e quanto de orgulho sente de sua vida. Se você vive sinceramente de acordo com sua fé, pode exemplificá-la como o mais valioso modo de vida através da sua própria existência. A felicidade não lhe é proporcionada por ninguém. Ela encontra-se somente no próprio esforço em revelar o tesouro das profundezas de sua vida, e se poli-lo cuidadosamente, desenvolverá a coragem e a esperança, ao longo do caminho. Cada qual deve sentir-se livre para ser o que é. Preocupar-se demasiadamente com o que os outros pensam jamais fará uma pessoa feliz. Dez pessoas audazes que bradam são mais poderosas do que cem mil que permanecem caladas. A liberdade de espírito não pode ser alcançada com os braços cruzados pode ser alcançada somente lutando-se por ela. Tudo depende do que você dá atenção! Para toda a vibração existe uma experiência equivalente. Tudo depende do nível de confiança ou insegurança que você está emitindo. É impossível que alguém que se sente doente encontre a cura. É improvável que aquele que se sente miserável, enriqueça. É injustificável que aquele que se sente só, encontre o amor. Torne-se aquilo que você mais deseja. Não existe nada que o force a ver a vida com cores cinza. Palavras amorosas e ternas afetam as moléculas de água, e somos mais de 75% água. Então, eu cuido do que falo, do que penso e como ajo. Não se preocupe em como conseguirá o seu objetivo! Este é um trabalho que cabe unicamente ao Universo.  O que é costumeiro no tolo é esquecer nas horas cruciais o que prometera nas horas normais.

Eu queria ser um poeta

Que privilégio pensava eu no meu querer de ser um poeta: poderei contar as belezas do mundo, mostrar para o outro como é lindo o voo dos pássaros, o balançar das folhas dos coqueiros quando sopra o vento e o transformar do céu límpido em tempestuoso! Tinha por certo que teria muitos leitores dos meu escritos poéticos. E quando minha mãe falava para as pessoas: ela é meio poeta, eu me sentia um ser humano diferenciado, sensível e em sincronia com o melhor da vida. 

Mas o tempo e seu indiscutível transformar da visão de mundo do ser humano, fez-me perceber o quão a leitura de uma poesia não era para a maioria dos que me rodeavam. Pedi para que lessem meus escritos; uns pediam para ler e não liam e, se liam, não entendiam. Tristeza de poeta não lida me invadiu e quis largar essa mania de narrar as coisas de forma poética porque um dia ouvi isso: ah essa sua forma poetizada de escrever a vida não é boa.

E o que é bom eu pensei? O que é bom?

Eu encontrei uma resposta, mas foi preciso parafrasear Jacques Lacan : “eu posso entender o que eu escrevo, mas nunca o que o outro entende do que eu escrevo”. O entendimento de tudo o que se escreve passa por um filtro de sensibilidade, de idiossincrasias, dentre outros fatores. E esse entendimento é construído a partir do hábito da leitura. Precisa ser um leitor proficiente para compreender as nostalgias, as metáforas, as analogias, as críticas, as silepses e inúmeras mais condições de escrita e sentido de uma poesia. A poesia vive em mim…é inato, acho. Eu não queria ser um poeta. Eu sou um.

“Deriva”

De tudo  cai um pedaço,  solta uma lasca, perde-se a completude.

Deriva de algo tudo o que começa a existir. É lento processo.

Surge unido. Desprende-se e não deixa de derivar.

 

Graça – Luiz Vilela

Este post  rende atenção especial  a  Luiz Vilela, escritor oriundo de Ituiutaba (Minas Gerais) que começou a despontar no mundo Literário com o livro de contos “Tremor de Terra”. É um dos maiores contistas da literatura brasileira contemporânea. Dentre suas muitas obras escolhemos “Graça”, um romance escrito em 1989.

A história do livro se baseia no relacionamento de Epifânio Carvalho (Pi) e Graça. Há dois espaços de transição muito importantes: o ônibus e o sobrado (casa de Pi). O ônibus é o espaço da mudança para uns, e da chegada para outros. É um transporte coletivo que contém várias histórias/ memórias. E é nesse espaço que  Graça e Pi se conhecem.  A personagem protagonista se encanta pelo “dedo do pé” da moça e a partir daí entra em cena o casarão onde reside Pi, outro espaço bastante explorado. A  entrada de Graça na casa de Epifânio e o transcorrer do relacionamento, traz à tona as memórias ( as histórias) que foram vividas no sobrado  e  levam Epifânio a narrá-las, ou seja, contar os fatos  passados que marcaram a vida daqueles que viveram no sobrado. Os protagonistas são pessoas muito diferentes: Graça não possui passado, bagagem de mão, surgiu do nada enquanto Epifânio possui histórias e moradia fixa. O diálogo abaixo entre o par romântico mostra essa disparidade entre o mundo deles:

–“Esquece seu pai e sua mãe.” – “Por que?” – “Vai ser bom pra você, você vai ver. A melhor coisa que a gente faz na vida, depois que cresce é esquecer o pai e a mãe.” – “ Você esqueceu os seus?” – “Os meus? Ih, “ó”, estralou os dedos:”há uma eternidade!” (pág. 58)

Os diálogos são bastante coloquiais, um falar espontâneo que se aproxima dos mais variados tipos de leitores. A primeira vista tive um estranhamento porque há uma intimidade bastante coloquial entre o par romântico, fato que mexeu bastante comigo porque até então nunca havia lido uma obra cujos diálogos íntimos entre duas pessoas, fossem tão abertos quanto em Graça.

Realismo Fantástico e Maravilhoso

O termo “realismo fantástico”, foi proposto por Borges para definir sua própria literatura já que para ele a mesma  “nasceu com o homem e está no primeiro capítulo do Genesis”.   O termo maravilhoso tem suas origens na Espanha  e é ali conhecido como maravilloso. Esse tipo de texto tem algumas peculiaridades muito fáceis de serem percebidas porque fogem à realidade costumeira.  Já pensou se dialogássemos com um coelhinho que se transforma numa girafa como acontece com o narrador-personagem em  “Teleco, o coelhinho”  de Murilo Rubião?  Para quem não sabe Rubião foi um dos maiores representantes dessa corrente literária no Brasil. Unir o elemento mágico e fantástico a partir de um contexto aparentemente real é talvez a característica mais marcante desse movimento que  é próprio do continente latino americano, cujo marco se deu mais ou menos entre os anos 60 e 70, época em que a maioria dos países latinos passavam por um período de reações à ditadura militar. É interessante não acham que nos momentos de repressão a literatura movimente elementos incomuns ao mundo real? O que será está por trás dessas personagens excêntricas, desses sonhos loucos e locais múltiplos e de fácil acesso? É muito sugestivo, para mim. Penso ser um desejo de experimentar momentos de descontração sem nenhuma censura.

Segui buscando outros livros após me divertir com os contos de Rubião e resolvi  me aventurar um pouco mais com Cien años de Soledad  de Gabriel García Márquez, meu primeiro contato com o idioma castelhano. Não foi uma leitura fácil, confesso. Haviam muitas expressões difíceis para uma marinheira de primeira viagem, mas  me diverti muito acompanhando a vida da família Buendía. Depois disso, voltei a ler Macunaíma de Oswald de Andrade e acredito até hoje que as cenas do  gigante Piaimã, comedor de gente, em São Paulo mostra muito bem um episódio fantástico, ainda que o livro seja considerado um a obra modernista.

Ainda leio esse tipo de literatura porque me encanta.  Recentemente li o livro o Cemitério dos anões do escritor mineiro Marcos Mota. Ali tive contato com o realismo fantástico mais contemporâneo,  e me chamou muito a atenção os gigantes, os anões e outras misturas de seres inusitados presentes na obra. Bem deixei aqui algumas experiências literárias que valem a pena, caso disponham tempo.

Boa leitura.

 

Férias escolares: a paz que eu tenho.

Não se sabe ao certo quem inventou as férias. Não encontrei uma fonte precisa que possa ser indicada como informação verdadeira. O fato é que as férias significam aventura, descanso, relaxamento, encontros, viagens e lembranças. Férias passadas trazem recordações e isso fez-me lembrar do escritor moçambicano Mia Couto porque ele tem um pensamento propício a este post.  Diz ele que “Não somos nós que guardamos as lembranças, são as lembranças que nos guardam.” Preste atenção aos locais que já visitou…Tenho certeza de que algumas  lembranças ainda continuam vivas, ou quando está consigo mesmo ou quando relembra algo peculiar daquele momento único com pessoas especiais. Eu sempre estou acompanhando post nos blogs dos viajantes insaciáveis e a todo o tempo penso neste dizer de Mia Couto e reflito: um dia eles terão, em algum momento da vida,  uma lembrança para contar. É meio poético, mas a vida bem vivida é uma poesia, sem dúvida,  e os filhos fazem parte dessa poesia, daí a importância de planejar nos mínimos detalhes a viagem com eles. Abaixo seguem algumas dicas para que as férias escolares sejam um sucesso.

VIAJAR COM CRIANÇAS: 7 DICAS ESSENCIAIS

1. ATENÇÃO À BAGAGEM

É certo que com crianças vai precisar de levar mais bagagem consigo, mas também não é preciso exagerar. Assegure-se que tem tudo o que precisa para o decorrer da viagem, mas o resto (como os produtos de higiene do bebê ou criança – fraldas, toalhetes, pó de talco, cremes, etc.) pode, por exemplo, ser comprado no local de destino. Assim evita ir carregado na viagem e ainda ganha espaço para todas as outras coisas que precisa de levar. Quanto à roupa, as crianças precisam sempre de mais quantidade que os adultos. Para os mais pequeninos, pelo menos, 2 mudas de roupa por dia. Para ajudar, leve também alguns brinquedos (mas sem exageros), cadernos, livros para colorir e lápis de cor ou de cera, tablet ou leitor de DVD para que as crianças se possam entreter durante a viagem. E não se esqueça de uma almofada, caso queiram dormir, e de um lanche para matar a fome durante a viagem. Quanto mais satisfeitos estiverem, menores são as probabilidades de ter que lidar com birras durante a viagem.

2. ACONSELHAMENTO MÉDICO ANTES DA VIAGEM

Antes de viajar com crianças é aconselhável que faça uma visita ao pediatra para perceber quais os cuidados adicionais que deve ter em atenção com a sua criança e pedir medicamentos úteis para os para primeiros-socorros e emergências que possam acontecer (como enjoos, diarreias, alergias, etc.). Além disso, dependendo do destino para onde vai viajar podem ser necessárias vacinas específicas.

3. TENHA ATENÇÃO AOS TEMPOS DE VIAGEM

Lembre-se que os mais pequenos são seres impacientes e tendem a ficar saturados com alguma facilidade, por isso na hora de marcar a viagem atente nos tempos de deslocação. Se vai viajar de avião opte por voos diretos para reduzir os tempos de viagem e de espera. Outro truque é marcar os voos nas horas do sono das crianças, já que se estiverem a dormir facilitam a tarefa a todos os envolvidos na viagem. Se vai viajar de carro planeje paragens frequentes para descansar. O ideal é que faça pausas de 2 em 2 horas, não só para o condutor descansar mas também para as crianças libertarem a energia acumulada na viagem, darem um saltinho ao quarto-de-banho ou petiscarem qualquer coisa.

4. EVITE CORRERIAS

Se andar a correr de um lado para o outro já é mau para um adulto, imagine para uma criança. Por isso mesmo, se vai viajar com crianças trate de fazer tudo com tempo e muita calma.

5. MARQUE E MONITORE AS SUAS CRIANÇAS

A ideia de umas férias em família é que todos relaxem, se divirtam e desfrutem do tempo em família, portanto, o ideal é evitar stress. Mas todos sabemos que com crianças toda a atenção é pouca e em breves segundos já os perdemos de vista. Para evitar que isso aconteça, previna-se. Coloque pulseiras de identificação com os seus dados e contatos ou, se preferir, invista num aparelho de monitorização por GPS para crianças para saber sempre onde está, ou mesmo numa trela para criança.

6. PESQUISE TUDO… TUDO!

Se vai viajar com crianças deve saber tudo sobre o local para onde vai. Desde o clima, à cultura, passando pela gastronomia, por exemplo. Todos os detalhes contam. Por exemplo, se está amamentando deve tentar perceber se é ou não aceitável fazê-lo em público para evitar situações desconfortáveis.

7. EXPLIQUE A VIAGEM ÀS CRIANÇAS

Pode parecer irrelevante, mas para as crianças pode fazer toda a diferença. Fale com os seus filhos e explique-lhes o que vai acontecer: para onde vão, como vão, se vão de avião, o que vão fazer, etc. Todos estes detalhes não só vão ajudar a que as crianças entendam o que vai acontecer, mas que se sintam mais entusiasmados com esta “aventura”.

E BOA  VIAGEM!!!!!!