Psicologias (Livro)-Síntese capítulo 15

Com o intuito de colaborar com meus colegas estudantes de Psicologia, segue uma síntese do capítulo 15 do Livro Psicologias.

Neste capítulo, é abordado os seguintes tópicos: Processos grupais e instituições, a construção social da realidade, o processo de institucionalização, instituições, organizações e grupos, a importância do estudo dos grupos na Psicologia, a dinâmica dos grupos, grupos operativos e o processo grupal.

Processos grupais e instituições

Segundo o texto, toda Psicologia é, no fundo, uma Psicologia Social porque ninguém vive completamente isolado; dependemos do outro no nosso cotidiano e a convivência precisa combinar algumas regras cuja regularidade normatizada pela vida em grupo é chamada de instituição. Viver em grupo tem grande importância e dois temas tem se destacado nesse processo: a Psicologia em grupos que é um tema clássico e a Psicologia Institucional que pode ser encontrada em Literatura específica a partir da metade do século XX.

A construção social da realidade

A Psicologia Institucional só pode ser entendida se conhecermos o processo de instituições. O termo instituição é empregado de forma corriqueira para designar o local onde se presta algum serviço público; outras vezes é utilizado em determinadas instituições sociais como a família. “A família é uma instituição modelar”

O processo de institucionalização

O processo de institucionalização explorado por Berger e Luckmann, começa com o estabelecimento de regularidades comportamentais. As pessoas vão descobrindo maneiras mais fáceis e ágeis de desempenhar atividades diárias. Um hábito se estabelece quando uma dessas maneiras repete-se muitas vezes. Um hábito estabelecido por razões concretas com o passar do tempo e das gerações transforma-se em tradição. Quando se passam muitas gerações e a regra estabelecida perde essa referência de origem (o grupo de antepassados), dizemos que essa regra foi institucionalizada.

Instituições, organizações e grupos

A instituição é um valor ou regra social reproduzida no cotidiano com estatuto de verdade, serve como guia básico de comportamento e de padrão ético para as pessoas em geral. A organização é a base concreta da sociedade e representa o aparato que reproduz o quadro de instituições no cotidiano na sociedade. Elas podem ser um complexo organizacional; um ministério como por exemplo, o Ministério da Sáude; uma igreja (católica, por exemplo). As organizações são o polo prático das instituições. O elemento que completa a dinâmica de construção social da realidade é o grupo-lugar onde a instituição se realiza, concretizando as regras e promovendo os valores ou reformulando as regras. Há um campo da Psicologia especializado no estudo das relações entre grupos, organizações e instituições, trata-se de uma sociologia das instituições, fundamentada em bases psicanalíticas, marxistas e linguísticas). René Lourau e George Lapassade buscam identificar grupos sujeitos e grupos sujeitados. O grupo sujeito é aquele que percebe a manipulação e não perde seu próprio desejo de autonomia; não se sujeita ao desejo institucionalizado. O grupo sujeitado não consegue se desgarrar do poder do desejo institucionalizado; não tem domínio sobre suas ações. A denúncia das formas de controle subjetivo não é fácil. O processo não é racional, mas repleto de racionalizações que escondem a realidade. A crise dos grupos ocorre de forma espontânea sem que se possa prever o acontecimento. O elemento desencadeador da crise é chamado de “analisador” e permite revelar uma situação. O grau de saber e não saber dos grupos sobre sua própria história e potencial para transformá-la chama-se transversalidade. Grupos sujeitos tem auto grau de transversalidade, enquanto grupos sujeitados possuem baixo grau de transversalidade. Deste modo, o desejo dos grupos caminham para a autoanálise e auto sugestão, fato que ocasiona a economia solidária.

A importância do estudo dos grupos na Psicologia

Os primeiros estudos sobre grupos foram realizados no final do século XIX pela denominada Psicologia das massas ou Psicologia das multidões. Um dos primeiros pesquisadores foi Gustav Le Bon, autor do conhecido tratado intitulado Psicologia das massas. Os pesquisadores do século XIX foram influenciados pela Revolução Francesa e mais precisamente pelo impacto desta nos pensadores da época. O que se perguntava no campo da Psicologia era o que levaria uma multidão a seguir a orientação de um líder mesmo que, para isso, fosse preciso colocar em risco a própria vida. Como exemplo, citam o caso da Alemanha nazista e a produção do hipnotismo coletivo. Apesar da Psicologia Social surgir com o estudo das massas, será com grupos menores, os quais tem objetivos claramente definidos, que se desenvolverá a pesquisa de grupo. Esse desenvolvimento ocorreu a partir de 1930, com a chegada, aos Estados Unidos de Kurt Lewin – professor alemão refugiado do nazismo que começou a pesquisar a primeira teoria consistente sobre grupos denominada Cognitivismo.

A dinâmica dos grupos

Exemplos mais detalhados da teoria dos grupos elaborada por Lewin e levada adiante por seus colaboradores podem ser encontrados no compêndio escrito por Cartwright e Zander, editado pela primeira vez em 1953 que abordam temas como coesão do grupo (condições necessárias para sua manutenção); pressões e padrão do grupo (argumentos reais ou imaginários, manifestos ou velados que seus membros utilizam para garantir a fidelidade dos demais aos objetivos do grupo e ao padrão de conduta estabelecido), motivos individuais e objetivos do grupo (elementos que garantem a fidelidade e que estão relacionados com a escolha que cada indivíduo faz ao decidir participar de um), liderança e realização do grupo (força de convencimento – carisma – exercida por um fim, as propriedades estruturais dos grupos (padrões de comunicação, desempenho, de papeis, relações de poder). Formas de convívio que independem de nossa escolha, chamamos de solidariedade mecânica (sala de aula, colegas de universidade). A solidariedade orgânica diz-se da afiliação feita por vontade própria; escolhemos nossos pares. Nos grupos onde predomina a solidariedade mecânica, geralmente forma-se subgrupos que se caracterizam pela solidariedade orgânica, como é o caso das “panelinhas” em sala de aula ou grupos de amigos em uma fábrica ou num escritório. Quando um grupo se estabelece, os fenômenos grupais mencionados anteriormente passam a atuar sobre as pessoas individualmente e sobre o grupo, ao que chamamos de processo grupal. A coesão é uma forma encontrada pelos grupos para que seus membros sigam as regras estabelecidas. A coesão é uma forma encontrada pelo grupo para que seus membros sigam as regras estabelecidas e à certeza da fidelidade dos membros ao grupo que estão inseridos, chamamos de coesão grupal. Os grupos, de acordo com sus características, apresentam maior ou menor coesão grupal. Outros elementos como padrões e pressões do grupo, motivos individuais e objetivos do grupo, já estão presentes na definição da coesão. Quanto mais o grupo precisar garantir sua coesão, mais ele impedirá manifestações individuais que não estejam claramente de acordo com seus objetivos.  Sobre a liderança dos grupos postula-se que um grupo com vocação autoritária precise de um líder autoritário, um grupo democrático precisa de um líder democrático e grupos sem preocupação com sua organização, ou não teria liderança ou teria uma liderança que lhes desses a direção. Grupos são mais eficientes e grupos autoritários são eficientes no imediatismo, mas são pouco produtivos, pois funcionam a partir da demanda de um líder; seus membros são cumpridores de tarefas. Grupos democráticos  exigem maior participação de todos os seus membros, que dividem responsabilidades na realização das tarefas.

Grupos operativos

A definição de grupos operativos foi articulada por Pichon-Rivière. Os postulados do autor possuem base tanto na tradição legada por Lewin quanto nos conhecimentos psicanalíticos. De acordo com o psicólogo Saidon, estudioso da obra de Pichon-Rivière,

“o grupo operativo se caracteriza por estar centrado, de forma explícita,  em uma tarefa que pode ser o aprendizado, a cura (no caso da psicoterapia), o diagnóstico de dificuldades etc. Sob essa tarefa, existe outra implícita subjacente à primeira, que aponta para a ruptura das estereotipias que dificultam o aprendizado e a comunicação. ” [pg. 223]

O grupo operativo configura-se como um modo de intervenção, organização e resolução de problemas grupais, baseado em uma teoria consistente, desenvolvida por Pichon-Rivière e conhecida como Teoria do Vínculo. Tal abordagem transformou-se num poderoso instrumento de intervenção em situações organizacionais e é muito usada hoje em dia. Através de sua aplicação, é possível acompanhar determinado grupo durante a realização de tarefas concretas e avaliar o campo de fantasias e simbolismos encobertos nas relações pessoais e organizacionais de seus diferentes membros.

O processo grupal

O desenvolvimento de uma Psicologia Social Crítica, a partir de 1970, levou tanto Silvia Lane quanto Martin-Baró , cada um a seu modo,a desenvolver uma consistente crítica aos modelos teóricos existentes.A teoria de Pichon-Rivière também sofrerá algumas críticas. O fundamental nesta visão é considerar que não existe grupo abstrato mas, sim, um processo grupal que se reconfigura a cada momento. Silvia Lane detecta categorias de produção grupal, que define como:

1. Categoria de produção — a produção das satisfações de necessidades do grupo está diretamente relacionada com a produção das relações grupais. O processo grupal caracteriza-se como atividade produtiva de caráter histórico.

2. Categoria de dominação — os grupos tendem a reproduzir as formas sociais de dominação. Mesmo um grupo de características democráticas tende a reproduzir certas hierarquias comuns ao modo de produção dominante (no nosso caso, o modo de produção capitalista).

3. Categoria grupo-sujeito (de acordo com Lourau) — trata-se do nível de resistência à mudança apresentada pelo grupo. Grupos com menor resistência à autocrítica e, portanto, com capacidade de crescimento através da mudança, são considerados grupos-sujeitos. Os grupos que se submetem cegamente às normas institucionais e apresentam muita dificuldade para a mudança são os grupos-sujeitados.

A hierarquização dos grupos de forma mais verticalizada ou horizontalizada dependerá de como estão inseridos no sistema produtivo. De acordo com a maneira como a  sociedade define seu sistema produtivo, ela estabelece valores sociais que, de uma maneira geral, serão reproduzidos pelos grupos, estejam eles mais ou menos diretamente ligados ao sistema produtivo. Assim, quando se trata do trabalho numa fábrica, o grupo tenderá a ser bastante verticalizado (diretor, gerente, chefe, encarregado e operários) e esta verticalização poderá ser  transferida, como valor, para o grupo familiar do operário (o pai, a mãe, o filho mais velho e os mais novos). Existe a possibilidade de o grupo (ou alguns de seus membros) exercer a negação deste processo de imposição social (na realidade, é isso que cria uma dinâmica social mais rica e variada).
Chegamos à terceira categoria: grupo-sujeito,  aquele que critica as formas autoritárias de organização e procura estabelecer uma contranorma. Isto somente é possível quando o grupo consegue esclarecer a base de dominação social, historicamente determinada, e encontra formas de organização alternativas (como é o caso das formas autogestionárias de organização grupal).

Claves de sol

“Desde as 07h:55min chove sem parar.  Chuva  com vento. Bebem o néctar que coloquei ontem, um par de beija-flores que se protegem da chuva embaixo do telhado onde fica o potinho que os alimenta, por isso o texto abaixo:”

 

O amor  é esse sentimento que quer devorar.

Sapeia a pele e a essência.

 Brinca com as pétalas das flores

pra ver os olhos sorrindo,

 tem dialeto  que só quem ama entende.

Não há compromisso com o tempo.

Corre, arriscando-se entre a multidão

para  tocar os acordes

da melodia rítmica e harmônica

das claves de sol.

Receita de Metáfora

Este texto tem a intenção de colaborar com a escrita de metáforas

As metáforas fazem parte de um modo de dizer/escrever mais elaborado e para entendê-las é necessário ser um leitor que perceba a “símile” existente entre o que está escrito  e o significado oculto. É justamente na descoberta desse significado que se concentra um novo sentido àquele já instituído.  Nas escolas, a exploração da figura de linguagem começa com o estudo do texto poético, momento em que os Professores fazem o trabalho usual de leitura e mostram como a estrutura dos poemas colaboram para a construção de sentido, principalmente quando se trata de poemas concretos. Aqui, é interessante pensar no contexto de produção, na temática utilizada para a produção da composição textual como um facilitador para leituras que se aproximam de um  entendimento possível de ser explicado.Para que o entendimento de uma situação metafórica seja concretizado, é preciso um trabalho que alcance o antes, o durante e  o depois da leitura para que o leitor  possa fazer associações entre os possíveis sentidos. O texto não é hermético, ao contrário, ele é possível de leituras várias que se concentram desde o estranhamento até certa conformidade e aceitação, quesitos importantes uma vez que reiteram a função social dos gêneros textuais de modo geral. Ademais, o movimento de questionar-se sobre o que leu, propor interpretações,   reconhecendo-se em algum momento na leitura, edifica a posição de leitor profícuo.

Como elaboro uma metáfora, então?

1º- Escolher  –  Escolha elementos que possuem semelhança entre si.

Água e vidro(por exemplo)

2º – Refletir:  O que esses elementos possuem em comum?

A transparência (primeira resposta possível. Há outras)

3º – Escrever: Elabore um período em que haja uma relação de semelhança implícita entre os elementos que escolheu . Por exemplo:

 

“A água do lago  é vidro para meus olhos”.

“Um sorriso pode vitrificar todas as alegrias mundanas”.

 

Semelhança uma boca e um arco

A mulher tinha na boca, em vez de um sorriso, uma expressão arqueada que indignava os moradores do nosso bairro.

 

 

 

 

Minúsculos

 

A lacuna dos sonhos entre a realidade e a invenção é um pormenor na imensidão.

Durante o tempo

em que uma vaga do mar faz seu trajeto,

uma vida se encerra e outra luta para sobreviver postulando sua herança genética entre os fados e os meados da noite e do dia.

Atroz, o  menino chega e incrementa o passar das ondas dos entes queridos.

Não chega o  júbilo por causa de alguma vaidade, decretam conformando-se

com superstições da infância querida.

Vislumbram e tateiam as areias na orla marinha.

Enquanto os desenhos vão tomando formas diante do mar tranquilo,

o vento sopra empurrando nas vagas  minúsculos segredos que seguem dispersados pelas águas em remanso tardio.

Repousa, enquanto isso, uma mensagem intrusa, filha esquecida em outrora concebida.

E fraqueja inocente, teimando em permanecer  ante a luz  do meio dia, presente.

Ainda bem. As situações peregrinam  por nostalgia ou rebeldia e mudam os momentos vãos

no mais tardar, ao nascer de nova alegria.

O desdém do Pierrot

*** ÀS VEZES, A VONTADE DE ESCREVER EXTRAPOLA OS LIMITES DA RACIONALIDADE***

 

Cansado de bailar sozinho

Encolhi-me  num canto.

Me distraía com os casais

girando pela pista de dança.

provocou-me o tempo todo a colombina.

Ela não conversava,

explicava os detalhes dos trajes

das outras moças do salão.

 

A via e retive fixadamente

seu modo solícito. Extravagante.

E eu. Acostumado a segregar o sentimento

Vejo-a ainda,  madrugada minha,

bipartida entre duas espécies

de porvir.

 

Colombina que era minha

a noite é tua e o dia pertence

à limpidez que tece cada

gota desta água que lava minha cara

e remove a dura camada

daquela noite passada.

 

 

 

“Tópicos da minha lírica”

  • Te apresento uma lírica.
  • chamada “o nada”.
  • É esbaforida.
  • Foi improvisada,
  • detalhe de um esperado acaso.

 

  • Dei alimento a fogo lento.
  • Ela mornou, aqueceu e ficou como vês.
  • Nasceu dedilhada, pois,
  • num dia de  cor amanhecida
  • As cortinas estavam  para a lua

 

  • Era verão, coisa de praia.
  • A cidade colhia os lampejos do último
  • refrão do adorno da lírica do nada
  • que me acompanha
  • ditando impressões enquanto a vida
  • segue a sua valsa
  • tocada a moda de cada um.

 

 

 

 

 

 

 

 

Última palavra

O livro caiu no chão
junto com o caderninho de anotação.
e o lápis de ponta fina, partiu-se grafitando
a cerâmica antiga e desbotada.
Já era tarde e a última palavra
ainda perscrutava a minha vigília pausada
pelas rimas pobres e ricas.
Já te chamaram de louco?
Interpolava o meu coração
Se te deram essa honra
é bom saber: “nenhuma alma excelente
está isenta de uma mistura de loucura.”
Disse Aristóteles.
Não se zangue, portanto,
Se te chamam de louco.
E as palavras iam e vinham
Conforme se emparelhavam
à sonolência dos meus olhos tremidos
Foi fuga,  raiva e  inquietação
que se cruzaram nesta composição.

 

Prosa de varanda no interior.

Ela sempre me dizia uma frase. E estávamos casados há muito tempo.

A frase dela: “não adiantou nada”,

E “que eu dizia pra ela?

Não dizia nada. Só escrevi este poema.

Sazonal

Atormentado de amor, era hora de convencer.

Sobe e desce a ladeira.

Frio, chuva, calor, ameno.

Pressa.

um abraço acanhado eu trocava com ela,

 depois dos passeios pelo bosque.

Sempre…era de praxe.

 Os olhos foram ficando ofuscados pelas estações.

Sentamos na varanda e toca ainda a melodia.

Sabemos quando o clima vai mudar e dividimos os dias.

 

 

 

 

O que você diz ou ESCREVE…ENTENDIMENTO…O OUTRO

“A palavra é metade de quem a pronuncia e metade de quem a ouve” Michel Montaigne

Saibam… o que lerão neste post foi retirado do livro de Luiz Antônio Marcuschi, um importante linguista brasileiro que faleceu em 2016.

Produção textual, análise de gêneros e compreensão, é uma obra que vale a pena recorrer sempre. O que o autor expõe nos capítulos do livro, penso que todos os alunos, escritores e demais falantes da Língua Portuguesa deveriam ler. Vejam uma amostra do que você pode encontrar nas páginas do livro e conclua se não dá vontade de prosseguir a leitura dele.

 

“Compreender não é extrair conteúdos de textos. Por isso mesmo, nem tudo é visto por todos do mesmo modo. Compreender exige habilidade, interação e trabalho. Na realidade, sempre que ouvimos alguém ou lemos um texto, entendemos algo, mas nem sempre essa compreensão é bem-sucedida. Compreender não é uma ação apenas linguística ou cognitiva. É muito mais uma forma de inserção no mundo e um modo de agir sobre o mundo na relação com o outro dentro de uma cultura e uma sociedade.

 

Para se ter uma ideia da dificuldade de compreender bem basta considerar que em menos da metade dos casos as pessoas se saem a contento nos testes realizados em aula ou em concursos- o que se repete em muitas situações da vida diária. É comum ouvirmos  reclamações do tipo: “Não foi bem isso que eu quis dizer”; “você não está me entendendo”; “o autor não disse isso”, e assim por diante. Contudo, vale a pena indagar-se sobre o que é que estava sendo dito ou o que é que o autor queria dizer. Existem, pois, má e boa compreensão, ou melhor, más e boas compreensões de um mesmo texto, sendo estas últimas atividades cognitivas trabalhosas e delicadas. Independentemente de resultados de testes, todos nós sabemos como é importante nos entendermos bem no dia-a-dia, seja no diálogo com outras pessoas ou na leitura de textos escritos. Esse não é um assunto apenas escolar ou acadêmico, mas de nossa vivência cotidiana, pois entre as experiências negativas que fazemos está a de sermos mal-entendidos em nossas relações comunicativas. Questão esta que tem causado bastante danos às relações interpessoais  no século XXI. (Luiz Antônio Marcuschi)