Síntese – “A Formação do indivíduo na perspectiva histórico-cultural”

Este tópico trata de explicar a formação do indivíduo na perspectiva histórico-cultural, fazendo uma análise do ser humano e sua relação com o contexto. Para o autor, o homem é o sujeito sócio-histórico e sua natureza é essencialmente interagir com os seus pares. Ele tem um potencial ilimitado frente à natureza e à medida que se adapta a ela, consegue transformá-la através de seu trabalho: uma atividade humana e vital; consegue produzir os seus alimentos e deles manter a sua sobrevivência. À medida que sacia uma necessidade, logo vem outra e toda essa operação, vai gerando o surgimento de novos processos criativos, de habilidades e competências que garantem o desenvolvimento do ser humano em outros graus mais aprimorados, porque suas atividades são regidas “por complexas necessidades que são denominadas de “superiores” ou “intelectuais”.

             É nesse dinamismo de suprir sua própria necessidade que, segundo Marx e Engels (2001), o homem cria sua história. Assim acontece com o adolescente que, inserido nesse contexto, sofre a influência do meio, um ambiente construído por elementos de gerações antepassadas, que de alguma forma, se fazem presentes na realidade atual. A atividade humana diferencia o homem do restante dos outros animais e ela divulga a produção dos bens materiais que ele produz, como sua cultura e sua arte. No processo de apropriação há uma relação de transformação na natureza e prática social que passa por uma realidade objetiva, adquirindo uma conotação cumulativa das gerações humanas antepassadas.

            O homem não nasce cheio de histórias socialmente construídas; elas vão sendo elaboradas pela dialética entre apropriação e objetivação (Duarte 1993; 2006 b). Uma criança, por exemplo, forma seu comportamento a partir da cultura objetivada das gerações passadas, assim também ocorre com os costumes e com o linguajar. E tudo isso lhe é transmitido pelos pais ou responsáveis. Somente mais tarde, quando se depara com a vivência escolar, terá contato com outras objetivações genéricas, mais elaboradas como arte, ciências, filosofia, política e seu repertório cultural se amplia.

            Leontiev (1978) identificou três características no processo de apropriação da cultura. A 1ª característica é chamada de processo ativo – e enfatiza que para os indivíduos se apropriarem de determinados objetos ou fenômenos devem desenvolver características essenciais que facilitam o manuseio e entendimento adequados dos mesmos. Nesse caso, o sujeito reorganiza seus movimentos psicomotores a fim de formar novas habilidades para apropriar-se da condução do novo instrumento. A 2ª característica propõe que a atividade do indivíduo favorece o desenvolvimento de novas funções psíquicas e uma das formas de se desenvolvê-las são as atividades escolares que desempenham um papel importante para a formação dessas novas funções. A 3ª característica diz respeito à educação, ou seja, a forma de se comunicar que os seres humanos têm; é por meio da forma que se comunicam que transmitem seus conhecimentos de geração em geração.

A atividade consciente do homem o ajuda a produzir objetivações que facilitam o acesso à liberdade a à universalidade. O homem vive na sociedade capitalista e suas vivências nela favorecem a apropriação de objetivações de modos distintos, por exemplo, as classes mais desenvolvidas vão usufruir das riquezas de forma diferente da classe menos favorecida. O capitalismo possui, segundo o autor, um caráter contraditório, no que se refere à apropriação das objetivações humanas. A adolescência não possui características que estão intimamente ligadas ao ser humano. O mesmo acontece com as reações comportamentais: elas não devem ser consideradas como um modelo a seguir.     O comportamento conflituoso do adolescente pode ser interpretado como um reflexo dos conflitos da sociedade de classes em que ele está inserido. Cada classe social possui características próprias e os adolescentes respondem de acordo com esses conflitos oriundos de suas classes sociais.