Filosofia de domingo

Não sei ler o que eu não entendo. Não tem sentido olhar as letras apenas juntinhas sem um significado. O que eu não entendo é importante para os meus significados porque é a partir deles que saio do nada.

Irmãs meninas

            Ninguém tem a data precisa desta história e, mesmo assim, ela continua sendo lida porque certa vez um imenso navio pirata ancorou  numa ilha do Atlântico norte, lugar onde viviam alguns pescadores.  As moradias dali eram simples, mas organizadas de acordo com a chegada dos habitantes. Assim, o primeiro morador daquelas paragens possuía a casa mais distante e alta em relação às demais e era respeitado por ser o ancião do povoado. Tudo o que acontecia na ilha era resolvido na casa deste homem, cuja família  era composta pelo casal e duas filhas. As meninas não eram belas. Tinham as pernas marcadas por picadas de borrachudos e a pele do rosto, especialmente as bochechas, ruborizadas, pois gostavam de correr nas areias do mar e assistir o sol se pôr sentadas nas rochas. 

             Certa feita, elas saíram para as areias, correndo e disputando quem era a mais ágil, depois banhavam-se nas águas para retirar o suor do corpo e sentavam-se nas pedras para admirar  a voracidade do mar. Algumas vezes,  a mais nova dizia  que queria ser esposa de um pirata e conhecer todos os oceanos.

             “Vou descer do navio do meu pirata exuberante, cheia de jóias bonitas. Depois visitarei o comércio da cidade. Quase sinto o aroma dos perfumes e escuto os rumores das pessoas…”               

             “Carlita, o papai não permitirá que se case com um pirata”.         

             “Nosso pai só saberá depois. Eu vou fugir, mesmo que me esconda no navio. Se lembra de uma vez que um navio pirata aportou em nossas margens? Esperarei novamente este momento, Irina. Hei de realizar a minha vontade. Quero conhecer o que existe depois da floresta”.      

            “Não quero viver num navio com piratas e tampouco ser esposa de um deles. Prefiro aqui, onde podemos estar todos juntos. Mesmo que isolados”.            

           “Você é uma tola, Irina, por isso nosso pai sempre disse que você é  uma ostra”. 

             Enquanto as irmãs conversavam deitadas sob as rochas, o casal foi limpar a casa e encontrou, debaixo da cama da filha mais velha, uma caixa de  ferro com alguma coisa na tampa, mas estava fechada numa solda de ferro fundido. Eles não entendiam o que queria dizer tudo aquilo. Imediatamente pegaram-na, puseram-na sobre uma mesa  e esperaram as filhas voltarem das areias. Elas sempre chegavam à noitinha, quando  o vento  estava mais intenso. A choupana não era próxima de onde elas estavam, mas elas vinham correndo e brincando, assim o caminho parecia mais curto. 

             Elas, às vezes, rolavam nas areias e jogavam conchinhas uma na outra. Outrora, banhavam-se no mar. Entre as areias e as águas,  logo estavam as duas ao alcance  da visão dos pais, que as esperavam sentados na porta da casa. Assim que Irina e Carlita se aproximaram da entrada do lar, o pai levantou, deu passagem às filhas e ordenou-lhes:         

              “Entrem e sentem-se aqui”. Apontou para as cadeiras da mesa onde estava a caixa encontrada naquela tarde. As meninas obedeceram. E ele continuou:

              “Quero saber de quem é esta caixa e o que tem nela”.      

             “A caixa é da Irina. Ela encontrou na beira do mar. Vamos Irina, diga ao nosso pai sobre seu segredo?”.         

              “Eu achei a caixa no ano passado, quando choveu o mês inteiro. Veio com a maré. Eu a escondi porque gostei dela e a quero só para mim.”             

              “O que tem nela, filha?”       

              Irina pegou a caixa nas mãos e disse:   

             “Tem umas coisas na tampa, vejam. Não sei o que é. Eu passei muito tempo tentando descobrir e não consegui. Ela faz barulho também”.       

            A família ficou pensando numa forma de descobrir o que seria aqueles escritos marcados na tampa da caixinha. E balançavam-na inquietos para saber o que teria dentro do objeto encontrado por Irina. Ficaram matutando a noite inteira. Não dormiram olhando para aquele mistério. Exaustos de pensar em decifrar o que continha na caixa, adormeceram. Pareciam enfeitiçados. Quando despertaram, Irina parecia  perdida no tempo. Mal sabia distinguir se o que via era verdade ou sonho. Chamou impaciente todos ao seu redor:           

             “Pai, mãe, Carlita, acordem rápido!” Bocejos se ouviam.           

             “Vocês estão vendo o que vejo”?          

             “É um navio, um grandioso navio pirata!” Carlita falou sorridente.          

             “Fiquem aqui que eu vou falar com eles”. Disse o pai à família.         

            Alguns instantes depois, o pai das meninas voltou dizendo que o navio iria embora ao amanhecer. Haviam ancorado porque o papagaio do capitão morrera e  decidiram enterrá-lo ali em vez de dá-lo de comida aos peixes.  Todos pareciam aliviados com a notícia, menos Carlita, pois  assim que o pai se calara olhou-se no espelho, ajeitou os cabelos e, silenciosamente, saiu pelos fundos da casa em direção ao navio.  Quando estava numa distância segura, aproximou-se da embarcação. Olhou para todos os lados e se assustou quando ouviu uma voz autoritária dizer-lhe:                       

             “O que está procurando, menina?”.  

             Carlita ficou ansiosa com a pergunta do estranho. Pensava que seus sonhos estavam prestes a se realizarem: casar-se-ia finalmente com um pirata porque o segredo da caixa de Irina era muito valioso e renderia  a ela a honra do matrimônio. E muito confiante disse:

            “Quero contar um segredo ao dono do navio”           

             O homem gargalhou e parou para repetir as palavras de Carlita:

            “Então, você quer contar ao capitão, um se-gre-do?”.           

             “Sim, temos um grandioso segredo guardado numa caixa. Passamos dois dias dormindo, enfeitiçados por ele”.          

              O homem ficou curioso.  Chamou o capitão e este ouviu toda a história da moça.  Ciente do segredo, os dois homens acompanharam-na até sua casa.  Quando eles entraram já foram ordenando à família para mostrarem a caixa trazida pelo mar. Irina e seus pais se encolheram num canto porque sabiam que os piratas não faziam nada de graça para quem quer que fosse.

            “Não se assustem”! Clamou Carlita.

             “Pai, o capitão vai nos ajudar a desvendar o segredo da caixa”.  Completou ela.      

             Então, concordaram em deixar o desconhecido abrir a misteriosa caixa.   Mas antes que o pirata começasse a cortar o ferro da tranca, o  pai perguntou-lhe  o que ele levaria em troca por aquele serviço. E ele respondeu que se houvesse um tesouro dentro da caixa,  ficaria com tudo e,  se não houvesse nada valioso,  levaria a filha mais velha consigo.     

            Carlita emudeceu e foi para junto da família. E todos voltaram a se encolher de pavor. Por fim, o capitão começou o serviço. Levou tempo. Ele suava e brigava com a caixa de ferro. Quando todos já estavam desanimados, a voz austera anunciou:        

            “Abriu! Abriu.  A caixa está aberta!”.           

             Desesperados para saber do conteúdo da caixa, esperaram até o pirata ver o que havia dentro dela.  E após conferir o interior do objeto, admirou-se o homem dos mares:         

             “Não pode ser. Mas o que significa isso? Quem guardaria algo com tamanha segurança”?           

             A família sorria, encantada. Abraçavam-se. E o pirata vendo aquela comemoração, ordenou à dona da caixa  aproximar-se e comprovar o fim do grandioso mistério. Irina, então, acercou-se do objeto aberto e viu uns quadradinhos de madeira desenhados. Depois, olhou para quem abriu sua caixa e perguntou:            

              “O que são todas essas coisas”?           

              “Você não sabe?” Ironizou o desconhecido.           

              “Não sei, Senhor. O que são elas”?          

              “São letras”.           

              “Letras”! Disseram admirados.           

              “Mas o que são letras?”  A família perguntou em coro ao viajante.      

              “Letras são pedacinhos de palavras. Com as letras vocês podem escrever o que quiserem ou sentirem. Basta juntá-las. Na tampa da caixa está escrito século XIV”.     

               Irina ficou olhando cada quadradinho tentando entender tudo aquilo. Mas, foi interrompida pelo pirata que puxou-a para si e levou-a para longe… a conhecer outros mares. A caixinha de letras foi com ela, escondida debaixo da saia do seu vestido. Os pais não tiveram tempo de dizer nada à filha, muito menos Carlita que  esqueceu-se do  pôr-do-sol e não teve mais vontade de voltar  às rochas. Tinha os olhos fixos no oceano. Esperava o retorno da irmã para embarcar junto com ela em viagem. Na verdade, a ilha ficou mais vazia depois que Hafes levou Irina. Por esse motivo, Carlita e seus pais começaram a visitar outras famílias mais afastadas. O tempo passou e transcorria sempre do mesmo jeito. Mas, naquele ano, na época das águas,  uma longa tempestade devastou  parte das habitações do povoado. A chuva e a ventania duraram uma semana. Com toda aquela água caindo do céu, acharam que fosse o fim do mundo e que as profecias do velho curandeiro que vivia na floresta estavam se cumprido. As famílias ficaram ilhadas muitos dias em suas próprias casas e não sabiam se havia vítimas fatais; torturavam-se por isso. Na  casa de Lenen,  Carlita se prostava na janela de seu quarto e matinha os olhos fixos nas águas que lá embaixo dificultavam o ir e vir de todos as pessoas da ilha. Numa manhã de intensa umidade, a mãe da moça adentrou no dormitório da filha e foi olhar o nível d’água. Num canto isolado, viu um lenço que pertencera à Irina cheio de nozinhos. Horrorizada a mulher correu para o marido e mostrou-lhe o que encontrara. Apressado, Lenen foi até os aposentos de Carlita, no entanto, diminuiu os passos, quando a viu esperando-o  à porta.

            “Não posso acreditar no que você fez. Desate os nós, Carlita”. Pediu o pai.

            “Não desato. Eles servirão de memória para minha irmã. Ela ocupa o meu lugar naquele navio. Eu jamais os desatarei”.

            “Você não sabe o que diz. Desate os nós, por favor. Eles podem atrapalhar a vida de sua irmã onde quer que ela esteja. Que me importa…ela. Sei Que se diverte e é mais feliz que eu!

Para ter em conta…sabe-se lá quando…

Não me canso de pensar na beleza e toda a sua problemática. E como pode ser belo o que é diverso do belo? Hoje há beleza diversa muito mais que antes. Há variadas formas corporais, assim como distintos tônus musculares, muitos deles fabricados em clínicas estéticas ou academias. Embora existam pessoas , claro, fisicamente bonitas, sentir-se bem com sua beleza é algo intrínseco, algo como ser empático consigo mesmo. Ver beleza no sorriso que tem, nas gafes cometidas e encontrar beleza onde ninguém consegue ver é uma competência para poucas pessoas, porque de certo modo, raras delas sabem que a beleza nada mais é do que a percepção do mundo pelos sentidos que cada uma vai desenvolvendo e aguçando ao longo de sua vida. A distinto modo, o ser humano observa no outro a beleza que falta nele, quer a abundância existente no outro para completar-lhe inconscientemente o que ele próprio pensa ser necessário para seu bem estar físico perante seus pares. Mente, corpo e espírito possuem todos esses elementos que lhe fazem falta e são capazes de dotá-lo de toda a capacidade necessária para desenvolver-se. Da mesma forma, sua sombra-defeitos, medos, anseios e obscuridades – que somente seu âmago conhece, e esconde de todos a sua volta, são capazes de lhe destruir caso não sejam conhecidos pelos mundos que habitamos, o psíquico e o real. O mundo psíquico é um espaço em que a beleza possui conotações distintas para quem vê, fato é que nada é visto da mesma forma por ninguém, assim como uma mesma situação não pode ser sentida de única maneira. Não é possível mais desconsiderar a importância de conhecer-se a si mesmo para viver melhor nesses dois mundos, nesse sentido, é supremo pensar numa vida mais saudável e pautada em exercícios físicos que valorizem seu biotipo, proporcionando maior liberação dos hormônios do bem-estar. E que em tudo o que você faça haja tempo para seu autoconhecimento. ⚘❤

Clarice Lispector pra estudantes

“A hora da estrela” – Análise da obra de Clarice Lispector

Em seu último romance, Clarice Lispector criou um narrador fictício, Rodrigo S.M, que relata a vida da jovem nordestina Macabéa, ao mesmo tempo em que reflete sobre os sonhos, as manias e os conflitos internos da garota.

Publicada pouco antes de sua morte, em 1977, “A Hora da Estrela” é a última obra de Clarice Lispector. Nesse livro, que tem como narrador Rodrigo S.M., alter ego da autora, há o retrato de uma jovem nordestina, Macabéa, que tenta sobreviver na cidade grande. A narrativa, complexa, é marcada pela presença dos conflitos existenciais da protagonista, bem como do próprio Rodrigo S.M.

Em “A Hora da Estrela”, ficam visíveis algumas das principais características dos autores da terceira fase modernista no Brasil (posteriores aos romances regionalistas), como a utilização de análise psicológica mais aprofundada dos personagens, que revela, por meio da narrativa interior, o fluxo de consciência e o intimismo. No plano formal, há a preocupação por uma linguagem mais elaborada, com a presença das digressões, o uso inusitado da pontuação, ou mesmo sua ausência, as metáforas e a metalinguagem.

Na Dedicatória, a autora deixa claro que se converterá em um ser fictício, Rodrigo S.M., como se fosse outra faceta de sua personalidade, o que não compromete a consciência de sua individualidade. Talvez Clarice tenha optado por se tornar um narrador masculino para poder ser mais agressiva e menos sentimental, o que caracterizaria uma ironia da autora em relação à condição da mulher na sociedade, vista normalmente como um ser frágil e piegas. Assim, por meio do recurso digressivo, a autora busca dialogar com o leitor, despertando nesse um papel mais ativo, que é o de compartilhar a culpa que ela sente e a responsabilidade que tem para com a injustiça social e a alienação simbolizadas por Macabéa.

A obra possui, também, uma peculiaridade: antes do início da narrativa, há, na primeira página, o título do livro, seguido de 13 outros títulos, inclusive um repetido, além da assinatura manuscrita de Clarice.

A estrutura da obra tem três grandes eixos narrativos e simultâneos, o que torna o enredo fragmentado e quebra a tradicional construção linear. A primeira narrativa tem Rodrigo S.M. relatando a história de Macabéa; a segunda mostra o narrador falando das próprias experiências e do drama existencial que vive; na terceira, vemos o próprio processo de construção da obra, o que caracteriza a metalinguagem.

A narrativa de “A hora da estrela” é uma interminável pergunta sobre a condição humana, ao longo de um enredo no qual se fundem histórias ou eixos distintos e complementares: ma vida de Macabéa, imigrante nordestina que vive desajustada no Rio de Janeiro; a história do autor do livro, identificado como Rodrigo S. M., sem propriamente um rosto definido, mas que interfere sistematicamente no enredo; e ainda a história do próprio ato de escrever. Nessa arquitetura instigante, Clarice Lispector articula três linhas de reflexão a respeito da existência e da arte: 1) filosófica, com a qual focaliza os limites do conhecimento do mundo, por meio da palavra; 2) social, com a qual investiga os impasses e os confrontos gerados pela incomunicabilidade entre os seres humanos; e 3) estética, com a qual investiga o ato da criação e sua importância na vida das pessoas. O narrador, Rodrigo S. M., é uma figura particularmente interessante, pois, assim como a personagem Macabéa, também está em busca de si mesmo, em busca de uma identidade; ao mesmo tempo em que se identifica com a realidade circundante, sente também estranhamento ao interagir com ela, oscila entre identificação e afastamento. A obra é digressiva, porque não segue uma narrativa linear; é metalinguística pela contínua reflexão sobre sua própria estrutura; apresenta 13 títulos que se referem aos estados de espírito do narrador e desmistificam o poder centralizador de um só.

O importante para os exames vestibulares é lançar um olhar atento ao estilo da autora, isto é, observar sua linguagem moderna, marcada de metáforas, de frases anômalas, de comparações e de associações inusitadas e surpreendentes que conduzem o leitor às profundezas do ser, isto é, o próprio fluxo de consciência, recurso muito explorado em seus livros. Outro componente decisivo da produção literária de Clarice Lispector é a epifania, o momento da iluminação, da tomada de consciência, em que a personagem é alçada a um altiplano no qual se torna capaz de vislumbrar aspectos nunca antes percebidos da existência e de si mesmo

Resumo

Enredo 1

O narrador conta a história de Macabéa, jovem alagoana de 19 anos que vive no Rio de Janeiro. Órfã, mal se lembrava dos pais, que morreram quando ela era ainda criança. Foi criada por uma tia muito religiosa e moralista, cheia de superstições e tabus, os quais ela passou para a sobrinha.

Essa tia também tinha certo prazer mórbido em castigar Macabéa com cascudos na cabeça, muitas vezes sem motivo, além de privá-la de sua única paixão: a goiabada com queijo na sobremesa. Assim, depois de uma infância miserável, sem conforto nem amor, sem ter tido amigos nem animais de estimação, Macabéa vai para a cidade grande com a tia.

Apesar de ter estudado pouco e não saber escrever direito, Macabéa faz um curso de datilografia e consegue um emprego, no qual recebe menos que o salário mínimo. Após a morte da tia, deixa de ir à igreja e passa a repartir um quarto de pensão com quatro balconistas de uma loja popular.

Macabéa cheirava mal, pois raramente tomava banho. À noite, não dormia direito por causa da tosse persistente, da azia — em virtude do café frio que tomava antes de se deitar — e da fome, que ela disfarçava comendo pedacinhos de papel.

A moça tinha hábitos e manias que aliviavam um pouco a solidão e o vazio de sua existência. Entretinha-se ouvindo a Rádio Relógio num aparelho emprestado de uma das colegas. Essa emissora informava a hora certa, transmitia cultura inútil e propaganda, sem nenhuma música. A garota colecionava também anúncios de jornais e revistas, que colava num álbum. Certa vez, cobiçou um creme cosmético, que preferia comer em vez de passar na pele.

Era muito magra e pálida, pois não se alimentava direito. Basicamente vivia de cachorro-quente com Coca-Cola, que comia na hora do almoço, em pé, no balcão de uma lanchonete ou no escritório em que trabalhava. Não sabia o que era uma refeição quente. Seus luxos consistiam em pintar de vermelho as unhas, que roía depois, comprar uma rosa e, quando recebia o salário, ir ao cinema, o que a fazia desejar ser estrela de cinema, como Marilyn Monroe, seu grande sonho.

Certo dia, o chefe de Macabéa, Raimundo, cansado do péssimo trabalho que ela executava, com textos datilografados cheios de erros de ortografia e marcas de gordura, resolve despedi-la. A reação da garota, de se desculpar pelo aborrecimento causado, acaba desarmando Raimundo, que decide mantê-la por mais um tempo.

Num dia 7 de maio, Macabéa mente dizendo que arrancaria um dente e falta ao trabalho para poder aproveitar a liberdade da solidão e fazer algo diferente. Assim que as colegas saem para trabalhar, ela coloca uma música alta, dança, toma café solúvel e até mesmo se dá ao luxo de se entediar. É nesse dia que conhece Olímpico de Jesus, único namorado que teve.

Não foi um namoro convencional. Olímpico também havia migrado do Nordeste, onde matara um homem, fugindo para o Rio de Janeiro. Conseguira emprego numa metalúrgica, o que dá delírios de grandeza em Macabéa. Afinal, ambos tinham profissão: ela era datilógrafa e ele, metalúrgico.

Mau-caráter e ambicioso, Olímpico morava de favor no trabalho, roubava os colegas e almejava um dia ser deputado. O passeio dos namorados era sempre seguido de chuvas e de programas gratuitos, como sentar-se em bancos de praça para conversar. Nessas ocasiões, Olímpico se irritava com as perguntas que Macabéa fazia, o que a levava constantemente a se desculpar, pois não queria perdê-lo, apesar de seus maus-tratos.

Certo dia, admitindo que ela nunca lhe dava despesa, Olímpico decide pagar um cafezinho para Macabéa no bar da esquina. Avisa, porém, que se o café com leite fosse mais caro, ela pagaria a diferença. Macabéa, emocionada com a “bondade” do namorado, acaba enchendo o copo de açúcar para aproveitar, ficando enjoada depois. Em um passeio ao zoológico, Macabéa fica com tanto medo do rinoceronte que urina na roupa e tenta disfarçar para não desagradar ao namorado. Um dia, vendo que só o chefe e sua colega de escritório, Glória, recebiam telefonemas, Macabéa dá uma ficha telefônica para que Olímpico ligue para ela. Ele se recusa, dizendo que não queria ouvir as “bobagens” dela.

Até que, após conhecer Glória, Olímpico decide romper com Macabéa para ficar com a sua amiga. O rapaz considera a troca um progresso, já que elas eram opostas: Glória era loira (oxigenada), cheia de corpo, morava numa casa confortável, tinha três refeições por dia e, o mais importante, seu pai era açougueiro, profissão ambicionada por Olímpico.

Após esse episódio, Macabéa vai ao médico e descobre que tem tuberculose, mas não entende muito bem a gravidade da doença. Sente-se bem só por ter ido ao consultório e não acha necessário comprar o medicamento receitado. Com dor na consciência por ter roubado o namorado de Macabéa, Glória a convida para lanchar em sua casa. Macabéa, mais uma vez, aproveita a oportunidade e come demais. Apesar de passar mal, não vomita para não desperdiçar o luxo do chocolate, mas sente remorsos por ter roubado uma rosquinha.

Finalmente, aconselhada por Glória, Macabéa vai até uma cartomante para saber de sua sorte. Lá, é recebida pela própria, Madama Carlota, que impressiona a pobre moça pelo “requinte” de sua residência, repleta de plástico, e pela amabilidade afetada com que a trata. Após Madama Carlota contar sobre sua vida como prostituta e cafetina, lê as cartas para Macabéa, que, emocionada, pela primeira vez vislumbra um futuro e se permite ter esperança. Afinal, iria se casar com um estrangeiro rico, que daria todo o amor de que ela precisava.

Inebriada com as previsões da cartomante, Macabéa atravessa a rua sem olhar e é atropelada por uma Mercedes-Benz. Caída na calçada e sangrando, seu fim é testemunhado por inúmeros espectadores que se aglomeram em torno dela, sem que nenhum ofereça socorro. Por fim, a garota tosse sangue e morre. Havia chegado a hora da estrela.

Enredo 2

Começa quando o narrador, andando pela rua, capta o olhar de desespero de uma jovem nordestina no meio da multidão. A partir daí, nasce Macabéa, que representa a miséria inerente ao autor e a todas as pessoas. Em uma relação de amor e ódio, Rodrigo S.M. narra a vida dessa moça como tentativa de se livrar da sensação de mal-estar que ela representa e que o contagiava, ao mesmo tempo em que se apieda e se revolta, inclusive se sentindo culpado por viver num padrão mais elevado que a maioria da população marginalizada.

Dessa forma, intima o leitor a também se colocar no lugar do outro para experimentar essa miséria e perceber que, no fundo, ela faz parte de todos nós. Por isso, não basta denunciar as mazelas sociais, como a fase anterior do modernismo pregava, mas induzir o leitor a uma epifania, uma revelação, ainda que despertada pela náusea, como nesse caso.

Enredo 3

Nessa parte, Rodrigo S.M. discute a limitação da literatura diante da busca existencial. Também ironicamente condena os autores de estilo pretensamente original, que abusam de modismos, de adornos que descaracterizam o poder das palavras, bem como a obsessão pelo rigor formal, pela ortografia impecável.

Assim, há na obra diversos recursos metalinguísticos. Essas três narrativas se interligam, não sendo possível separá-las, pois o livro nem mesmo tem divisão por capítulos.

Lista de personagens

Rodrigo S.M.: é o narrador da história e pode ser entendido como uma representação da própria escritora. Ele faz ao longo do livro diversas reflexões sobre o ato de escrever. Sua principal preocupação é em mergulhar na profundidade do ser humano para entender sua natureza.

Macabéa: personagem principal da obra, é uma moça nordestina (alagoana) de 19 anos, pobre e desleixada. Não tem família e vive com um subemprego no Rio de Janeiro. Sua ignorância é tamanha que não reconhece nem sua própria infelicidade.

Olímpico de Jesus: é o primeiro e único namorado de Macabéa. Também nordestino, mas da Paraíba, não tem escrúpulos e é ambicioso.

Glória: filha do açougueiro e colega de trabalho de Macabéa. Apesar de não ser bonita, tinha certa sensualidade. Por conta disso, Olímpico deixa Macabéa para ficar com ela.

Madame Carlota: a cartomante.

Sobre Clarice Lispector

Clarice Lispector nasceu em 10 de dezembro de 1920 em Tchetchelnik, Ucrânia. Quando tinha cerca de dois meses de idade, seus pais migraram para o Brasil, terra que considerava como sua verdadeira pátria. Em 1924, a família mudou-se para o Recife, onde iniciou seus estudos. Por volta dos oito anos, Clarice perdeu sua mãe. Três anos depois, a família muda-se para o Rio de Janeiro.

Ingressa em 1939 na Faculdade de Direito, e publica no ano seguinte seu primeiro conto, Triunfo, em uma revista. Forma-se em 1943 e casa-se no mesmo ano com o diplomata Maury Gurgel Valente, com quem teve dois filhos. Durante seus anos de casada, mora em diversos países pela Europa e nos Estados Unidos.

Em 1944, publica seu primeiro romance, Perto do coração selvagem, vindo a ganhar o Prêmio Graça Aranha, da Academia Brasileira de Letras, no ano seguinte. Separa-se de seu marido em 1959 e volta para o Rio de Janeiro com seus dois filhos. No ano seguinte, publica seu primeiro livro de contos, Laços de família.

Em 1967, um cigarro provoca um grande incêndio em sua casa e Clarice fica gravemente ferida, correndo risco inclusive de ter sua mão direita amputada. Porém, após se recuperar, continua com sua carreira literária publicando diversos livros.

Publica em 1977 seu último livro, A hora da estrela, vindo a ser internada pouco tempo depois com câncer. A escritora vem a falecer no dia 9 de dezembro do mesmo ano, véspera de seu aniversário de 57 anos.

Suas principais obras são: “Perto do coração selvagem” (1944), “Laços de família” (1960), “A maçã no escuro” (1961), “A legião estrangeira” (1964), “A paixão segundo G.H.” (1964), “Felicidade clandestina” (1971), “Água viva” (1973) e “A hora da estrela” (1977).

Livro Inocência – Algumas Considerações

O livro “Inocência” (1872) foi escrito pelo professor, político, historiador e sociólogo carioca Alfredo d’Escragnolle-Taunay (1843-1899)
é ambientado no sertão de Mato Grosso, em 1860, o romance tem como protagonista Inocência. Órfã de mãe, ela foi criada pelo pai, o mineiro Martinho dos Santos Pereira, que pauta a sua vida por valores como a honra e a palavra dada, além do amor incondicional pela filha. Julgando que está fazendo o melhor por ela, decide casá-la com Manecão Doca, um homem simples e rude, porém rico, o que possibilitaria a filha uma boa vida.

drama da obra se instaura quando o prático de enfermagem Cirino Ferreira de Campos aparece, um caipira de São Paulo, criado em Ouro Preto, 25 anos, que cavalgava pelo sertão realizando curas de maleitas e febres. Ao curar Inocência, desperta nela uma grande paixão, que terá um final trágico, pois Manecão, inconformado com o desinteresse da noiva pelo casamento, termina por matar o rival numa estrada. Tempos depois, Inocência, melancólica, também falece, numa morte e tristeza própria do romantismo.

Cristaliza-se assim a lógica romântica: ou o par central realiza seu amor em vida, vivendo felizes para sempre, ou os protagonistas acabam por se encontrar em outro plano, morrendo.

A obra estrutura-se em trinta capítulos e um epílogo em que reaparece dois anos depois da morte da pobre moça, o naturalista alemão Meyer recebendo, na Alemanha, uma homenagem da Sociedade Geral Entomológica e da imprensa, pela descoberta de uma borboleta (Papilio Innocentia), à qual dera esse nome justamente para imortalizar a jovem brasileira que conhecera no sertão.

Taunay consegue, ao longo da obra, realizar uma bem contada história de amor, com final trágico, a partir de um triângulo amoroso, repleta de descrições do modo de falar e de viver do sertão brasileiro.

  1. Características marcantes presentes na obra

Além das características que irão classificar a obra como pertencente a determinado período literário como será mostrado posteriormente, existem algumas que merecem ser destacadas por serem identificadas de imediato como:

  • Sofrimento – Percebido na caminhada do sertanejo em busca de seus objetivos através de longas distâncias, sendo que no percurso, existe a dificuldade do abrigo. Veja essa descrição que aparece logo no início do capítulo I intitulado “O Sertão e o sertanejo”, destinado a introduzir o leitor no mundo em que a história vai desenvolver-se:

“Corta extensa e quase despovoada zona da parte sul-oriental da vastíssima província de Mato – Grosso…depois das casas, mais e mais, e caminha-se largas horas, dias inteiros sem se ver morada nem gente…ali começa o sertão chamado de bruto.” (p1)

  • Simplicidade – Que é claramente observada através do comportamento e diálogos entre as personagens típicas. O autor foi um dos primeiros prosadores brasileiros a emprestar a linguagem coloquial regional em suas obras. Observa-se isso na elaboração de diálogos com a coloquialidade graciosa e natural do sertanejo que usa expressões como “Nocência” (apelido carinhoso dado a filha de Martinho), “é bom não se canhar as-sim“(com sentido de não se acanhe/se intimide), “Nhor-sim” (Resposta que quer dizer: Sim, senhor!), entre outras. Também é percebida nas comidas: “(…) umas colheres de farinha de mandioca ou de milho, adoçada com rapadura. (p21)”
  • As Contradições – Comprovadas entre o jeito de ser do sertão e a forma avançada da Europa, representadas por Pereira e Meyer. Ao lado dos acontecimentos, que constituem a trama amorosa, há também o choque de valores entre eles, um naturalista alemão que se hospedara na casa de Pereira à procura de borboletas, evidenciando as contradições entre o meio rural brasileiro e o meio urbano europeu. E, finalmente:
  • Beleza – Retratada através da paisagem do sertão:

“(…) estira-se a fio cumprido sobre os arreios desdobrados e contempla descuidoso o firmamento azul, as nuvens que se espacejam nos ares, a folhagem lustrosa e os troncos brancos das pindaíbas, as copas dos ipês e as palmas dos buritis a ciciar a modo de harpas eólicas, músicas sem conta com o perpassar da brisa. Como são belas aquelas palmeira!” (p21)

        E da jovem Inocência:

“Apesar de bastante descorada e um tanto magra (por causa da doença), era Inocência de beleza deslumbrante. Do seu rosto irradiava singela expressão de encantadora ingenuidade, realçada pela meiguice do olhar sereno que, a custo, parecia coar por entre os cílios sedosos a franjar-lhe as pálpebras, e compridos a ponto de projetarem sombra nas mimosas faces. Era o nariz fino, um bocadinho arqueado, boca pequena, e o queixo admiravelmente torneado…” (p47)

Sigamos agora para o próximo subtópico.

  1. Período Literário

No Brasil, o romantismo somava quase 40 anos, quando visconde de Taunay lançou seu livro Inocência. Em um momento já desgastado do gênero, o livro de Taunay logo foi elogiado pela crítica como um dos melhores romances regionalistas já escritos no Brasil. No final do romantismo brasileiro, a partir de 1960, as transformações econômicas, políticas e sociais levaram a uma literatura mais próxima da realidade. Com a decadência do regime monárquico e o ideal de republica, desenha-se uma transição para um novo gênero, o Realismo(Naturalismo).

No período da obra, o romantismo brasileiro entrava em declínio e o Realismo se aproximava, portanto, esta obra é de transição para o Naturalismo por causa de uma grande e infalível característica: o homem é produto do meio ou seja, as pessoas agem de acordo com o tipo de vida que levam.

  1. Sobre o ROMANTISMO…

 O Romantismo brasileiro surgiu em 1836 com a publicação de “Suspiros Poéticos e Saudades” de Gonçalves de Magalhães. Mas se originou mesmo na Alemanha e Inglaterra no final do séc. XVIII e se desenvolveu no Brasil durante o séc. XIX. A característica principal da Poesia Romântica é a expressão plena dos sentimentos pessoais, com os autores voltados para o seu mundo interior e fazendo da literatura um meio de desabafo e confissão. A vida passa a ser encarada de um ângulo pessoal, em que se sobressai um intenso desejo de liberdade. O estilo romântico revela-se inicialmente idealista e sonhador, depois, crítico e retórico mas sempre sentimental e nacionalista. Características Gerais:

  • Exaltação dos sentimentos pessoais;
  • Expressa os estados da alma;
  • Exaltação da liberdade, igualdade e reformas sociais;
  • Valorização da natureza;
  • Sentimento nacionalista

Contudo, é válido destacar que uma das características mais marcantes da obra é a IDEALIZAÇÃO DA IMAGEM FEMININA, feita quando Taunay conta com franqueza seu relacionamento com uma jovem que conheceu no Mato Grosso, a partir daí percebemos a origem mais íntima da personagem-título de lnocência, protótipo da mulher sertaneja imaginada pelo autor.

“Do seu rosto irradiava singela expressão de encantadora ingenuidade, realçada pela meiguice do olhar sereno que, a custo, parecia coar por entre os cílios sedosos a franjar-lhe as pálpebras, e compridos a ponto de projetarem sombras nas mimosas faces. Era o nariz fino, um bocadinho arqueado; a boca pequena, e o queixo admiravelmente torneado.” (página 33) “Jamais vira coisa tão perfeita como o seu rosto pálido. Os olhos franjados de sedosos cílios multo espessos e o seu ar meigo e doentio.” (página 31)

Taunay apresenta algumas dessas características em sua obra Inocência, além de reforçar uma das principais características do Romantismo europeu: a concepção de um único e idealizado amor, cuja impossibilidade de realização leva os protagonistas à morte. (Inocência, era fiel ao seu princípio amoroso, foi capaz de morrer de tristeza em face da ausência definitiva do amado). Por conta dessa característica, o romance, é considerado por alguns uma espécie de Romeu e Julieta (obra de Shakespeare) do sertão brasileiro, região que o autor conheceu bem em suas andanças como militar, não cede ao excesso de sentimentalismo, com descrições bastante realistas da natureza brasileira. O fato de ele ter conhecido os ambientes que descreve faz uma grande diferença.

Inocência portanto, traz uma combinação rara na literatura brasileira, pois exige o domínio de dois tipos de discurso: o romântico (representado pelas características do Romantismo presentes na obra: regionalismo, culto à morte, amor impossível, idealização da mulher e o realista, ou melhor, uma produção atraente com componente amoroso e elementos descritivos do ambiente e da fala regional.

  1. Categorização da obra

Existe uma categoria literária que aborda questões sociais a respeito de determinadas regiões do Brasil, destacando características de cada região, linguajar típico da região, apresentação das personagens como pessoas que vivem longe das cidades, entre outras. Ela é chamada de Romance Regional ou Regionalista, ou ainda Sertanista que tem como objetivo revelar o Brasil para os brasileiros. Alguns dos escritores românticos decidiram, então, usar suas narrativas para divulgar os aspectos locais ignorados por seus contemporâneos. Inocência, de Visconde de Taunay exemplifica muito bem esse processo.

O equilíbrio alcançado entre os aspectos ligados ao conceito de verossimilhança – que muitas vezes chegava a comprometer a qualidade de obras regionalistas – como a tensão entre ficção e realidade, a linguagem culta e a linguagem regional e a adequação dos valores românticos à realidade bruta do nosso Sertão, é o que dá qualidade à essa obra.

  1. Principais Temáticas abordadas pelo autor

Os críticos têm encontrado muitos temas no livro e alguns consideram a aventura como o módulo temático supremo da obra. Embora o livro permeie por muitos caminhos complexos, o encontro inesperado, os conflitos familiares e o final trágico são seus temas claros. Muitos desses assuntos, estudados pelos críticos literários, fazem parte da estrutura de Inocência e alguns deles estão listados abaixo:

2.5.1 Amor e morte

Inocência é vista como uma história de amor e de paixão despertada naturalmente por dois jovens, mas é aquela paixão impossível porque não corresponde à vontade dos pais (a exemplo do amor cortês medieval), além de ser também um amor perigoso porque, como acontece inesperadamente, tem uma função de desequilíbrio.

Na obra também observamos o triângulo amoroso, onde o amor não encontra seu par, como sugere a crítica Irene Machado: “Enquanto perdura a situação conflituosa, o amor impossível exprime uma situação de impasse que se traduz através da constituição dos triângulos amorosos: o amor não encontra seu par. Daí o desencontro. No romance de Taunay, temos vários triângulos amorosos, dependendo dos elementos que o constituem. Os elementos mudam segundo o ponto de vista em questão: do ponto de vista dos namorados: Inocência, Cirino e Manecão; e do ponto de vista de Pereira e do ponto de vista de Cirino: Inocência, Meyer, Manecão. Amor diante da razão social e, consequentemente, permanência do statu quo. É uma questão de honra: o pai prefere ver sua filha morta a ter seu nome desonrado. Que nome? … O importante é que a morte garante a pureza, do nome e da filha. Para Inocência, a morte é a única saída para o impasse a que sua vida foi encaminhada. É a única forma de escapar do compromisso assumido e de não se casar com Manecão; e seria também a única forma de não cair em desgraça se atendesse ao pedido de fuga de Cirino. A morte de Inocência é uma daquelas mortes românticas provocadas pelo acaso. Morte de amor: Inocência livrou-se da febre da maleita, mas não escapou da febre da paixão. A morte de Cirino é fruto de uma vingança, por isso ele se torna um herói. Morre honestamente, enfrentando seu rival. Ambas são mortes românticas, morte que ataca jovens apaixonados. É a única forma de conservar o encantamento da paixão.”

2.5.2 Razão e emoção

O Romantismo sempre pretendeu retratar o embate entre razão e emoção, e isso não foi diferente no romance de Taunay, onde a paixão domina a razão de Cirino embora, ao contrário dos heróis do romantismo brasileiro, é produtivo e não se entrega inteiramente às paixões. Sob um outro parâmetro, Meyer, assim como Cirino, possui um encantamento por Inocência, mas é um encantamento diferente, onde o naturalista talvez não esteja apaixonado, mas tenha consagrado esse seu sentimento em um nome científico.

Alguns críticos consideram que Meyer foi o único que conseguiu a realização de seu sentimento e, portanto, é o vitorioso da história, a partir do momento que driblou os “valores autoritários” de Pereira. Os críticos vêem essa vitória como um “brinde à inteligência”, a partir do momento em que o personagem Meyer é homem da cidade e pôde, ao contrário de Cirino, desviar-se do comportamento rude. Para a crítica Irene Machado, “Graças à medicina popular de Cirino, Inocência se salva da moléstia, e graças à ciência de Meyer, ela vive eternamente numa outra esfera de existência.”

Outra temática perceptível é representação um Brasil patriarcal, em que a vida das mulheres era inteiramente decidida e controlada pelos homens (pais ou marido), por isso o autor ironiza a visão machista, como nesta cômica exposição de Pereira encontrada no capítulo V sobre o comportamento das mulheres:

“Eu repito, isto de mulheres, não há que fiar. Bem faziam os nossos do tempo antigo. As raparigas andavam direitinhas que nem um fuso… Uma piscadela de olho mais duvidosa, era logo pau. (…) Cá no meu modo de pensar, entendo que não se maltratem as coitadinhas, mas também é preciso não dar asas às formigas…”

No final do relato, contudo, esta crítica amena e humorística transforma-se quase em um panfleto contra o domínio absoluto que, dentro do código patriarcalista, os pais tinham sobre os filhos. Trata-se de uma opinião injuriosa sobre as mulheres que é, em geral, corrente nos sertões que traz como consequência a rigorosa clausura que são mantidas a moças assim como o casamento convencionado ou arranjado e em situação mais séria, maus tratos.

Importante ressaltar que o simplório Pereira, além de possuir boa índole, ama desesperadamente a filha. Portanto, também ele nos é mostrado como vítima dos costumes patriarcais.

  1. ENREDO DA OBRA

De acordo com as pesquisas realizadas, destacamos que a obra Inocência, de Visconde de Taunay, é um romance regionalista brasileiro, publicado em 1872 e dividido em 30 capítulos, os quais são introduzidos por uma citação e um epílogo. A obra possui fortes traços do movimento naturalista, por retratar o homem como resultado do meio. É interessante salientarmos que o romantismo estava em declínio nesse período, todavia o trágico fim da obra nos remete a ideia do movimento romântico.

O enredo passa-se no Sertão do leste sul-mato-grossense, mais especificamente na região de Santana do Paranaíba, neste ambiente vivia Martinho Pereira e sua filha Inocência de 18 anos, o pai e a filha moravam em uma fazenda. Os personagens são marcados por características regionais, Pereira é um homem rude e conservador; Inocência é uma moça simples, sertaneja, bela e carinhosa. Pereira educa a filha de forma rígida, exigindo a total submissão da moça. Em um dado momento da obra, o personagem decide casá-la com Manecão, um homem do sertão bruto, negociante de gado, de temperamento agressivo e impulsivo. Inocência, por sua vez, adoece e permanece em estado enfermo até seu pai encontrar uma pessoa que pudesse tratá-la.

            Nessa ocasião, Pereira encontrou-se com um rapaz que se dizia médico, o personagem, em questão, era Cirino, um jovem que estudou farmácia em Ouro Preto e tinha um livro de medicina popular, era uma espécie de “livro de cabeceira”. Cirino foi para a casa de Pereira e recebeu a incumbência de curar a jovem, nesse processo, Cirino e Inocência se apaixonam. No decorrer da estória, surge outro personagem que chega com uma carta do irmão de Pereira, esse personagem é o Dr. Meyer, um pesquisador alemão que embarca para o Brasil com o objetivo de realizar alguns estudos relacionados a novas espécies de insetos e borboletas. Ao elogiar Inocência, Dr. Meyer desperta a desconfiança de Pereira, que manda Tico, um anão mudo, vigiar Inocência, enquanto pede para que Cirino permaneça em sua casa até a partida de Dr. Meyer.

            Contudo, Cirino e Inocência estavam apaixonados e passam a encontrarem-se às escondidas no laranjal, para a desventura do casal, Inocência estava sendo vigiada por Tico. Para resolver o caso de amor, Cirino propõe uma fuga a Inocência, que recusa por medo da reação do pai. A jovem aconselha Cirino a buscar apoio com Antônio Cesário, padrinho dela. Neste período, Dr. Meyer faz uma descoberta de uma espécie de borboleta e decide batizá-la com o nome de Inocência, Pereira, por sua vez, fica ainda mais desconfiado. No entanto, para a surpresa de Pereira, Dr. Meyer conclui seus estudos e vai embora. No mesmo período, Cirino também viaja para encontrar-se com Antônio Cesário, nesta ocasião, Cirino demonstra ser um rapaz de caráter nobre, todavia Antônio Cesário pede para que o jovem se afaste completamente de Inocência.

            Enquanto isso, Manecão chega a casa de Pereira, Inocência recusa-se a casar com ele e apanha do pai. Pereira sem entender a atitude da filha de início, fica indignado ao saber que Inocência encontrava-se ás escondidas com Cirino, o vigia havia revelado a ele por meio da mímica. Manecão fica furioso, vai em busca de Cirino e mata o rapaz. Em seguida, Inocência morre de tristeza pela morte de seu amado e por ser obrigada a casar-se com Manecão. A obra é finalizada com o reconhecimento dos estudos de Dr. Meyer, que é homenageado na Alemanha por sua descoberta. 

  1. ELEMENTOS NARRATIVOS DA OBRA

4.1 Foco Narrativo

O romance é narrado em terceira pessoa, o narrador é classificado como observador onisciente. Observamos que o narrador é capaz de fazer descrições detalhadas acerca do ambiente “Consistia a morada de Pereira num casarão vasto e baixo, coberto de sapé, com uma porta larga entre duas janelas muito estreitas e mal abertas.” (Pág. 18, 1872, TAUNAY), dos personagens “Apesar de bastante descorada e um tanto magra, era Inocência de beleza deslumbrante.” (Pág. 24, 1872, TAUNAY) e ainda do pensamento destes “Pereira tardava; e Cirino com os olhos fixos, a fisionomia meditativa e um pouco de palidez, que denunciava a intima comoção, não se fartava de admirar a beleza da gentil doente.” (Pág. 35, 1872, TAUNAY).

Tudo é apresentado a partir de um único ponto, com onisciência e onipresença. Esse é, sem dúvida, um modelo narrativo que atende às necessidades do romance regionalista, que focaliza a vida, os costumes, os valores sociais a partir de um único ponto de vista.

  1. Tipologia dos Personagens
  2. Classificação do Tempo e Espaço
  3. Níveis de Linguagem
  1. A PRESENÇA DE UM ELEMENTO QUE CARACTERIZA A OBRA COMO LITERÁRIA: AS FIGURAS DE LINGUAGEM

Aqui estão os tipos de figuras que encontramos na obra:

  • Prosopopeia – Características humanas dadas a seres inanimados

Afluente do majestoso Paraná (p7)

Magnífico laranjal (p 39)

Dolorosas flores (p 39)

Com que alegria não saúda os formosos coqueirais (p 10)

Naquela ocasião todo pontuado das brancas e dolorosas flores (p 43)

  • Hipérbole- Expressa algo de forma exagerada

Seus olhos encadeados e sua garganta abrasada (p 11)

  • Antítese- Relação que expressar contrastes, mas sem a contradição que expressa paradoxo.

“Espalham se, por fim, as sombras da noite. O sertanejo que de nada cuidou, que não ouviu as harmonias de tarde, nem reparou nos esplendores do céu, que não viu a tristeza a pairar sobre a terra,” (p 12 e 13)

  • É utilizar, consecutivamente, palavras com consoantes que produzem sons parecidos.

“Satisfeita a sede que lhe secara as fauces, e comidas umas colheres de farinha de mandioca ou de milho, adoçada com rapadura, estira – se a fio comprido sobre os arreios desdobrados e contempla descuidoso o firmamento azul, as nuvens que e espacejam nos ares, a folhagem lustros e os brancos das pindaíbas, a copa dos ipês e as plantas e as palmas dos buritis e ciciar a modo de harpas eólicas, músicas sem conta com perpassar da brisa!” (p 11)

  • Suaviza uma expressão

 “Dormir o sono da eternidade”

  • Por último, há um paralelismo entre o destino da borboleta e de Inocência:

    “A borboleta é capturada e morta, para ser exibida na Europa: sai do seu meio ambiente através da morte. Inocência, prisioneira e vítima de seu meio, transcende-o e se liberta apenas pela morte.”

 Ambas representam a ideia de beleza e de fragilidade. Enquanto a borboleta se eterniza e perpetua o nome de Inocência, espetada pelo cientista num estojo de colecionador, a personagem do romance é eternizada pelo romancista.

  1. ESTUDOS DO LÉXICO DA OBRA

Como já fora mencionado, o romance registra, na voz das personagens, a linguagem coloquial, popular, característica da região. Porém, o seu narrador, onisciente, utiliza-se da norma culta da língua para contar a história em terceira pessoa.

Ao longo da leitura da obra, percebemos que Taunay destaca, através de grifos e notas explicativas, as expressões, erros gramaticais e confusões linguísticas que as personagens fazem ao dialogar além disso, algumas editoras preocupam-se em trazer também em notas de rodapé, o significado de algumas palavras que são típicas daquela região e podem prejudicar de algum modo a compreensão do leitor.

O romance apresenta uma curiosa mescla de linguagem culta urbana e termos regionais (arcaísmos, provérbios, expressões típicas).

Destacaremos a seguir algumas dessas expressões e uma lista com palavras e seu significado a título de curiosidade e que pode servir de auxílio para quem manifestar interesse em ler a obra.

 Expressões/Palavras Significados
Faça de contaFinja
Não assuntoNão percebo
Obrei malFiz mal, não fez algo bom
Nem batia a passarinhaNão se importava
É pau pra toda obraTem muitas utilidades
Apanha pra mimPegue
Bem limpoBem vestido
Deitar poitaDescansar
Bicho do monteBicho do mato
Correr seca – e – mecaPeregrinar
Se acanharEnvergonhar-se
 RetiroLocal em que os criadores de gado reúnem o animais mortos para a alimentação humana, os cortam e salgam.
Sertão brutoSem moradores
PalhoçaCabana rústica coberta de palha ou sapé
TaperaCasa velha abandonada
Terreno arroteadoLavrado
RegatosPequeno riacho
ProsearConversar
SocavõesBuracos
FundõesSítios distantes
MaleitasDoenças pouco graves; enfermidades de fácil resolução
TalentoForça, valentia
AndarSobrado
MapiagemConversação
MofinaPouco liberal; doente, covarde
CocoDinheiro
GimboQuantia
Um atilho4 espigas amarradas
SoboróGrão falhado
BolirMexer
LavradosColares de ouro ou prata
MateiroVeado do mato
MãozadaPorção boa
MatulaComida
BracaiáGato do mato
RufiãoNamorador
PinoiaHomem fraco
EmbromaçãoEnrolação
PirlasPílulas
EmboabasPortugueses
  1. CONSIDERAÇÕES CRÍTICAS SOBRE A OBRA

A obra Inocência foi impressa por meio de folhetins, publicados em 1872 por Visconde de Taunay, de acordo com a pesquisa realizada, esse tipo de leitura era dedicado principalmente ás mulheres da classe média alta da sociedade daquela época. A partir da leitura do romance, podemos destacar que, um dos pontos enfatizados pelo autor, é o fracasso de uma sociedade altamente conservadora, com a idealização de uma mulher limitada, entregue aos caprichos do pai e posteriormente de seu marido. Inocência nos mostra uma figura frágil da mulher do século XIX, com um desfecho trágico e imerecido.

Podemos salientar que essa visão, abordada pelo autor, despertaria a sociedade daquela época para o comportamento abusivo adotado pela família sertaneja, semelhante aos costumes da antiguidade.

A atração pelo pitoresco e o desejo de explorar e investigar o Brasil do interior fizeram o autor romântico se interessar pela vida e hábitos das populações que viviam distantes das cidades. Abria-se assim, para o Romantismo, o campo fecundo do romance sertanejo, que até hoje continua a fornecer matéria à nossa literatura.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

Análise da obra Inocência. Disponível em: https://faciletrando.wordpress.com/2015/05/15/analise-da-obra-inocencia-2/. Acesso em: 03/10/2017.

D´AMBRÓSIO, Oscar. Inocência: Análise do livro de Visconde de Taunay. Disponível no site: https://educacao.uol.com.br/disciplinas/portugues/inocencia-analise-do-livro-de-visconde-de-taunay.htm?cmpid=copiaecola. Acesso: 30/09/2017

FIGURAS DE LINGUAGEM: banco de dados. Disponível em: <https://geekiegames.geekie.com.br/blog/figuras-de-linguagem/>.

Inocência (livro). Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Inoc%C3%AAncia_(livro)#An.C3.A1lise_e_cr.C3.ADtica. Acesso em:  08 out. 2017

Inocência. Disponível em https://pt.wikipedia.org/wiki/Inoc%C3%AAncia_(livro). Acesso em: 03/10/2017.

Inocência. Disponível em: http://www.infoescola.com/livros/inocencia/. Acesso em: 03/10/2017.

MACHADO, A. Irene. “Estudo de Inocência“. Disponível no site: Por Trás das Letras.

TAUNAY, Visconde de. Inocência. Rio de Janeiro: Abc, 2004.

TAUNAY. Visconde. Inocência. São Paulo. Fortaleza. ABC editora, 2004.

TAUNAY. Visconde. Inocência. São Paulo: Martin Claret, 2004.

Análise da verdade: o Caso O.J. Simpson.

Orenthal James Simpsom, mais conhecido como O. J. Simpson, é um famoso jogador de futebol americano que foi acusado em 1995 de assassinar sua esposa Nicole Brown e Ron Goldman, um garçom da cidade em que residiam. Esse caso teve grande repercussão na mídia mundial porque foi considerado um dos mais polêmicos entre o mundo das celebridades. Analisando a série de T.V., alguns jornais da época e o comportamento do acusado, considero-o culpado por ter assassinado a Brown e Goldman. Esse veredito é proveniente de algumas interpretações próprias do contexto em que o assassinato aconteceu. Destaco que tiveram um relacionamento conjugal, por isso, acredito em crime passional e essa conclusão se deve também, ao fato de as relações entre eles serem conturbadas, ou seja, rodeadas de conflitos, discussões e crises de ciúmes e desconfiança.

             Geralmente homens com o perfil de ciumentos querem controlar toda a situação, inclusive a conduta de suas parceiras, desse modo, agem movido por suas emoções, não controlando seus instintos. Outro fator relevante para considerá-lo culpado é seu comportamento frio e desinteressado acerca do brutal assassinato de Nicole e Goldman. Por mais que o casamento tenha tido conflitos e a separação tenha sido traumática, a morte é um acontecimento doloroso para qualquer ser humano, inclusive para os familiares e para aqueles que tiveram algum tipo de relacionamento com as vítimas. No entanto, Simpson não demonstrou qualquer tipo de sentimento quanto à perda da ex-esposa. Os traços de sua personalidade perturbada, se fez mais presentes diante de toda aquela tragédia, pois ele manteve-se sempre calmo, agindo de forma serena. Ademais, nenhuma pessoa em sã consciência mantém um comportamento tranquilo em casos de morte com sinais de violência, além disso, em nenhum momento de suas entrevistas mostrou-se preocupado com o desfecho do caso. Em seus diálogos com a imprensa, por exemplo, manteve-se com certo senso de ironia na maioria das vezes, como se toda aquela situação fosse algo natural. Em outros momentos, não respondia com veracidade aos questionamentos que lhe eram feitos. Num curto espaço de tempo contava algo, em seguida, relatava outro fato, confundindo os investigadores com seu relato controverso.  Esse comportamento antagônico e mutável chama a atenção porque somente pessoas frias e calculistas podem manipular datas, horários de forma natural.

            E não somente os fatos relatados acima permitiram chegar a esse veredito, mas também, o seu comportamento após o retorno à sociedade. No período em que saiu da cadeia envolveu-se com roubos e assalto a mão armada. Para Foucault, “a verdade é construída e não dada”, o que leva a acreditar mais ainda na culpa de Simpson, pois o seu perfil violento, acabou vindo à tona, a sua sombra desconhecida e inquietante provocou estragos e mais uma vez chamou a atenção da mídia e de todos aqueles que conviviam ao seu redor. Assim, logo que se viu livre da culpa, a verdadeira face de O.J. foi posta em evidência. O que isso significa? Significa que as verdades demoram, mas aparecem. A verdade à qual nos referimos é o fato de O. J. ser uma pessoa capaz de cometer atrocidades e causar confusão por onde passa. Quem comete um assalto a mão armada para roubar quaisquer objetos de um cidadão de bem, pode certamente, cometer um assassinato. Por isso, afirmamos que Simpson cometeu um crime passional contra Nicole e Goldman a partir da construção da verdade que suas atitudes foram demonstrando, baseadas, é claro, no percurso diacrônico dos fatos, pois segundo Foucault existem momentos na vida onde a questão de saber se se pode pensar diferentemente do que se pensa, e perceber diferentemente do que se vê, é indispensável para continuar a olhar ou a refletir.

EMPREGO DAS LETRAS E, I, O E U.

Olha a dicaaaa!!!

Gramaticamos

Escrever corretamente uma palavra nem sempre é fácil, principalmente se os sons forem parecidos. Na língua falada, as letras e, i, o e u soam muito parecidas, o que acaba causando confusão na hora de grafar palavras que levam uma dessas vogais. Para nossa sorte, existem algumas regras que podem nos ajudar nos momentos de indecisões sobre como grafar uma palavra.

1. Emprega-se a letra e:

a) No subjuntivo dos verbos terminado em -uar e -oar:

  • atue
  • abençoe
  • magoe
  • continue
  • pontue
  • habitue
  • perdoe

b) Nas palavras formadas com o prefixo ante (ideia de anterioridade):

  • antebraço
  • antecipar
  • antedatar
  • antediluviano
  • antevéspera

c) Nos seguintes vocábulos:

  • arrepiar
  • cadeado
  • cadeeiro
  • confete
  • empecilho
  • indígena
  • mexerica
  • seringa

2 . Emprega-se a letra i:

a) no presente do indicativo dos verbos terminados em -air,

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