Resenha crítica: "A arte de argumentar"

A obra apresenta a discussão do processo de argumentação, utilizando a persuasão como instrumento importante para o desenvolvimento interpessoal desde que seja utilizada adequadamente ao público que se quer atingir. Segundo o autor é por meio do relacionar-se que o ser humano compreende o mundo e os fatos e interage com os outros pares, sendo capaz de entender criticamente uma situação. É nesse inter-relacionamento que o indivíduo, de modo geral, se torna competente na produção da argumentação.

            O livro é dividido em seis capítulos, e à medida em que se aprofunda no tema, o autor enxerga no processo da argumentação a oportunidade do ser humano gerenciar sua relação com o outro. No entanto, tudo depende do contexto socioeconômico e cultural, mais especificamente de questões idiossincráticas.

            Outros pontos importantes são destacados, como por exemplo, a regulação da informação em que é necessário recorrer a “arte do convencer”, ou seja, levar o outro a pensar de uma forma padronizada para o sentido positivo de uma situação. A persuasão, outro trato social derivado do relacionamento com outrem, é peça fundamental para a discussão levantada por Suárez, uma vez que é também, por meio dela, que ocorre a sensibilização e convencimento dos demais ao redor.

            A partir desse ponto, informa o autor, toda argumentação precisa de uma tese, sendo possível oferecer uma resposta ao público, baseada numa linguagem que seja adequada e pertinente às questões éticas de cada contexto. Os elementos do discurso formal também merecem atenção, pois são mencionados de forma a contribuírem para a coerência do discurso, e desse modo, cumprirem sua função social.

            A chave para o sucesso na argumentação se fundamenta na interação com os outros, porque é por meio de relações pessoais que ocorrem trocas de informações, relatos de experiências, e é nesses momentos que se conhece melhor o seu interlocutor. Há que saber sobre o outro, além disso, sensibilizar o ambiente em que se vive, promovendo um espaço favorável à melhor qualidade de vida.

            Ao contrário do que muitos pensam, argumentar, para o autor, não se resume somente em defender pontos de vista, mas em dialogar sobre temas comuns do espaço onde estão os partícipes, pois assim, a argumentação serve como um instrumento de amplo alcance coletivo e profissional que pode ser utilizado em grupos diversos.  A diversidade de grupos sociais, muitas vezes, favorece conflitos de variada amplitude. Assim, um dos sentidos elencados pelo autor a respeito da arte de argumentar é tratar de temas pertinentes à cada rotina, seja ela de qualquer instituição,  de forma dinâmica, utilizando-se do poder da comunicação tanto oral quanto escrita, para fomentar relações mais harmoniosas e produtivas. Nesse sentido, o livro é uma boa opção de leitura para profissionais da Educação, que lidam com numerosos perfis sociais diariamente no cotidiano escolar.

ABREU, Antônio Suárez. A Arte de Argumentar: Gerenciando Razão e Emoção. 8. ed. Ateliê Editorial: São Paulo, 2009.

Síntese – “A Formação do indivíduo na perspectiva histórico-cultural”

Este tópico trata de explicar a formação do indivíduo na perspectiva histórico-cultural, fazendo uma análise do ser humano e sua relação com o contexto. Para o autor, o homem é o sujeito sócio-histórico e sua natureza é essencialmente interagir com os seus pares. Ele tem um potencial ilimitado frente à natureza e à medida que se adapta a ela, consegue transformá-la através de seu trabalho: uma atividade humana e vital; consegue produzir os seus alimentos e deles manter a sua sobrevivência. À medida que sacia uma necessidade, logo vem outra e toda essa operação, vai gerando o surgimento de novos processos criativos, de habilidades e competências que garantem o desenvolvimento do ser humano em outros graus mais aprimorados, porque suas atividades são regidas “por complexas necessidades que são denominadas de “superiores” ou “intelectuais”.

             É nesse dinamismo de suprir sua própria necessidade que, segundo Marx e Engels (2001), o homem cria sua história. Assim acontece com o adolescente que, inserido nesse contexto, sofre a influência do meio, um ambiente construído por elementos de gerações antepassadas, que de alguma forma, se fazem presentes na realidade atual. A atividade humana diferencia o homem do restante dos outros animais e ela divulga a produção dos bens materiais que ele produz, como sua cultura e sua arte. No processo de apropriação há uma relação de transformação na natureza e prática social que passa por uma realidade objetiva, adquirindo uma conotação cumulativa das gerações humanas antepassadas.

            O homem não nasce cheio de histórias socialmente construídas; elas vão sendo elaboradas pela dialética entre apropriação e objetivação (Duarte 1993; 2006 b). Uma criança, por exemplo, forma seu comportamento a partir da cultura objetivada das gerações passadas, assim também ocorre com os costumes e com o linguajar. E tudo isso lhe é transmitido pelos pais ou responsáveis. Somente mais tarde, quando se depara com a vivência escolar, terá contato com outras objetivações genéricas, mais elaboradas como arte, ciências, filosofia, política e seu repertório cultural se amplia.

            Leontiev (1978) identificou três características no processo de apropriação da cultura. A 1ª característica é chamada de processo ativo – e enfatiza que para os indivíduos se apropriarem de determinados objetos ou fenômenos devem desenvolver características essenciais que facilitam o manuseio e entendimento adequados dos mesmos. Nesse caso, o sujeito reorganiza seus movimentos psicomotores a fim de formar novas habilidades para apropriar-se da condução do novo instrumento. A 2ª característica propõe que a atividade do indivíduo favorece o desenvolvimento de novas funções psíquicas e uma das formas de se desenvolvê-las são as atividades escolares que desempenham um papel importante para a formação dessas novas funções. A 3ª característica diz respeito à educação, ou seja, a forma de se comunicar que os seres humanos têm; é por meio da forma que se comunicam que transmitem seus conhecimentos de geração em geração.

A atividade consciente do homem o ajuda a produzir objetivações que facilitam o acesso à liberdade a à universalidade. O homem vive na sociedade capitalista e suas vivências nela favorecem a apropriação de objetivações de modos distintos, por exemplo, as classes mais desenvolvidas vão usufruir das riquezas de forma diferente da classe menos favorecida. O capitalismo possui, segundo o autor, um caráter contraditório, no que se refere à apropriação das objetivações humanas. A adolescência não possui características que estão intimamente ligadas ao ser humano. O mesmo acontece com as reações comportamentais: elas não devem ser consideradas como um modelo a seguir.     O comportamento conflituoso do adolescente pode ser interpretado como um reflexo dos conflitos da sociedade de classes em que ele está inserido. Cada classe social possui características próprias e os adolescentes respondem de acordo com esses conflitos oriundos de suas classes sociais.

Merece um amor

Um poema singelo para esta noite chuvosa.

“Você merece um amor que a ame quando você estiver despenteada, aceitando as razões que a fazem acordar rapidamente, e os medos que não permitem que você durma.

Você merece um amor que faça com que você se sinta segura. Que a ajude a conquistar o mundo ao pegar em sua mão, que sinta que seus abraços se encaixam perfeitamente com sua pele.

Você merece um amor que deseje estar ao seu lado, visitar o paraíso apenas olhando seus olhos, e que nunca fique entediado lendo suas expressões.

Você merece um amor que a ouça cantar, que apoie todas as suas loucuras, que respeita sua liberdade e que a acompanhe em seu voo, que não a deixe cair.

Você merece um amor que afaste as mentiras. E que traga sonhos, café, poesia.”

Frida Kahlo