CARÁTER SUBJETIVO

Escrito em setembro de 2013

Na alma ficam as impressões

misturadas às lições aprendidas 

das momentâneas tentativas

do existir.

 Depois de tudo,

já não sou o que era.

O tempo me transforma

em não sei o quê.

Percebo nas folhas de algumas espécies ao redor,

nos raios do sol e na formosura de algumas flores

que tudo circula  passeando dentro e fora de mim

para mais tarde voltar,  tentando-me.

Deveras, mais.

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Inconstância

Quando nascer o sol

Estarei a caminho

O bilhete te explicará

Tudo o que a voz temeu dizer.

O tempo ajudará a entender.

A culpa não é tua.

A inconstância que vive em mim,

  é a culpada.

Ao menos evitei ver

seus olhos tristes e desconsolados.

O nosso amor não era o mesmo

Havia um tempo de duração

e você sabia.

Juntos e separados

tentamos. Mas

Perdoa

A inconstância que vive em mim

Quer de novo

 sentir.

Corpo de poesia

Bastam os movimentos que dançam e seguem o traçado sem impedir   o mundo paralelo.  Encoraja o deslize dos dedos seguindo o compasso  e nascendo devagar, tão sem pressa, entrelaçando-se.

Corpo de poesia.                   

 Se os olhos podem penetrá-lo eis a luz mais bela que invade a retina. Segue a luz que ilumina a transcendência. A mesma comentada entre os amores da vida. Descansados. Adormecidos.

Corpo de sonhos, cheios de fantasias, dores, escândalo e magia. Corpo de agonia.Romântico em sua clandestina estripulia. Te querem, desejam, te repelem e tu  te entrega a poucos sem nada de promessas .Teu corpo é mar aberto, poesia. 

Dos amores meus

escrito desde 2012.

De todos os meus amores, não sei qual eu gosto mais…  por isso aprecio  amanhecer falando das coisas que nos fizeram companhia em meio aos nossos lençóis.

Ao entardecer, em frente ao pôr-do-sol abraço-a e acaricio seus cabelos longos para

Vermos juntos como é  belo e misterioso a união e entrosamento comedido

no  caminho feito pelos pássaros que parecem saciados da sede e fome.

Envolta em meus braços com os olhos fixos no céu  

ela sente vontade de ser menina vestida  de chita de novo

voltar aos campos, correr pela paisagem seca de dar dó e passar por entre os animais que descansam no pasto ralo e desnutrido. 

Digo a ela que olhe o sol se pondo. E ela volta porque é noite e anoitecemos juntos. 

Memórias de fusos horários

Entre os espaços das coisas do mundo há destroços possíveis de entendimento. Entre as palavras há uma composição rarefeita e entre a escuta um mundo de entendimento. É bem possível este fluxo estremecer outrora os meus olhos que estipulam a beleza para esta espontânea nostalgia

que se formou por causa de um momento no tempo. Sempre é o tempo o dono da organização das palavras e dos pensamentos. Há um trabalho que vai se formando e vêm à mente em ilógicas e paradoxais sincronias retiradas da ínsula,talvez.

Ou do inquiridor do ouvido e seus ditames nada populares e estendidos,por vezes, até as madrugadas. É um ganho de sono. É colorido espetáculo cultural monológico. E se não fossem os fusos horários? Ainda bem que os fusos horários existem para que os fatos não aconteçam todos ao mesmo tempo”.

Atividades mistas para 9ºs e 1ªs séries do Ensino Médio

H31- Identificar recursos semânticos expressivos (antítese, personificação, metáfora, metonímia) em segmentos de um poema, a partir de uma dada definição. 

H13- Localizar um argumento utilizado pelo autor para defender sua tese.

H18-Inferir a tese de um texto argumentativo, com base na argumentação construída pelo autor.

Leia um trecho do texto de Lya Luft, A alma do outro,publicado na Revista Veja.

       “´A alma do outro é uma floresta escura’ […]

A vida vai nos ensinando quanto isso é verdade. Pais e filhos, irmãos, amigos e amantes podem conviver décadas a fio, podem ter uma relação intensa, podem se divertir juntos e sofrer juntos, ter gostos parecidos ou complementares, ser interessantes uns para os outros, superar grandes conflitos – mas persiste o lado avesso, o atrás da máscara, que nunca se expõe nem se dissipa.”

Vocabulário: Dissipar – espalhar, dispersar.

1. Qual é a tese que a autora pretende comprovar?

2. Para comprovar uma tese, é preciso argumentar. Qual argumentoa autora emprega para comprovar sua tese?

3. “Pais e filhos, irmãos, amigos e amantes podem conviver décadas a fio, podem ter uma relação intensa, mas persiste o lado avesso…”

Com relação ao período acima, podemos afirmar que:

a) trata-se de um período composto por subordinação, pois as orações que o compõem mantêm uma relação de dependência.

b) trata-se de um período composto por coordenação, formado por três coordenadas assindéticas e uma coordenada sindética adversativa.

c) trata-se de um período misto, formado por orações coordenadas e orações subordinadas.

d) trata-se de um período composto por coordenação, formado por duas coordenadas assindéticas e uma coordenada sindética.

4. Indique a função sintática do único pronome relativo que aparece no trecho do texto A alma do outro e classifique a oração iniciada por ele.

Leia o trecho a seguir:

“Mudar o comportamento social e cultural de um povo é muito difícil. Não só em relação ao racismo, mas ao preconceito em geral, que é estúpido e condenável em todas as suas facetas, seja de raça, cor, credo, idade, aparência física, etc. Isso só se consegue com a igualdade de direitos e com muita educação para a cidadania, desde muito cedo.”

Um não bem sonoro ao racismo

Faceta – cada um dos aspectos particulares de uma pessoa ou coisa.

5) Coloque VERDADEIRO ou FALSO, de acordo com as ideias do trecho lido.

a) Segundo o autor, é impossível mudar o comportamento dos indivíduos, pois ele é determinado pelo grau de cultura de cada um. 

b) Podemos perceber, no trecho lido, que o autor se preocupa com a atitude das pessoas em relação a qualquer tipo de discriminação. 

c) Segundo o autor, é preciso punir as pessoas preconceituosas para que mudem de comportamento. 

d) O autor, no trecho lido, não propõe solução alguma para resolver o problema do preconceito em geral. 

Leia o trecho a seguir.

“Muitos são aqueles que acreditam que a redenção dos homens se encontra no esporte. Estou entre eles. Quando a bola rola, no momento de um mergulho ou num arremesso, os homens se transformam. Esquecem as diferenças que alimentam absurdos como as guerras religiosas, o choque entre brancos e negros, as crises econômicas e mesmo a disputa por petróleo ou territórios. O esporte consagra o que há de melhor na humanidade. Traz para o mundo o espírito de luta, de conquista, o suor, as lágrimas, a vontade e, tão importante quanto toda a competitividade, o respeito pelo oponente, a ética esportiva.”

João Luís de A. Machado- Cinema na Educação- Duelo de Titãs – Vencendo os preconceitos.

6) Indique a classificação das duas orações subordinadas que aparecem no 1º período do trecho.

7) Segundo as idéias doautor do trecho lido, o que é tão importante quanto o espírito competitivo nomundo do esporte?

8) Transcreva, do 3ºperíodo do trecho lido, a oração subordinada adverbial e indique seu valor semântico.  

9) Marque a alternativa que contém a coordenada sindética que não contradiz as ideias do autor do trecho lido.

a) Em uma competição esportiva, os participantes estão imbuídos do espírito de luta e não esquecem as diferenças religiosas e raciais.

b)O esporte revela o melhor dos seres humanos e, no momento de uma competição, os participantes não se lembram das diferenças raciais e religiosas. I

10) Nas linhas abaixo, transcreva a coordenada sindética da alternativa escolhida na questão anterior, indique seu valor semântico e sua classificação.

A estrofe que você lerá a seguir pertence ao poema Os Estatutos do Homem, de Thiago de Mello.

“Fica permitido que o pão de cada dia

Tenha no homem o sinal de seu suor

Mas que sobretudo tenha

Sempre o quente sabor da ternura.”

11) Ao escrever seus textos, os poetas lançam mão de recursos que são chamados de figuras de linguagem. Esses recursos trazem poesia ao texto e fazem com que o leitor interprete de forma mais livre as idéias do autor. Não se esqueça, porém, de que essa interpretação deve levarem consideração o contexto em que está inserida. Sabendo disso, explique o sentido da expressão pão de cada dia (1ºverso) e reconheça a figura que foi empregada pelo autor.   

12)Releia a estrofe do poema Os Estatutos do Homem e transcreva o verso em que foi empregada uma sinestesia

13) Ainda tendo como referência a estrofe do poema Os Estatutos do Homem, responda: a palavra que, empregada no 1º verso, é conjunção integrante ou pronome relativo?Por quê? Como se classifica a oração introduzida por ela?  

14) Marque a alternativa correta.

a) Sinestesia é uma figura de linguagem que consiste em misturar sensações.  

b) Prosopopéia e personificação são duas figuras de linguagem diferentes.

c) Empregamos a elipse quando não queremos utilizar um termo que já foi anteriormente citado.

d) Em “Vossa Senhoria parece cansado”, temos silepse de pessoa.

Sabe-seque a conjunção porque pode introduzir uma oração coordenada sindética explicativa ou uma subordinada adverbial causal; isso vai depender do contexto em que está aplicada. Agora leia os períodos a seguir para responder à questão.

  • Machado de Assis era um autodidata, porque seus pais não puderam proporcionar-lhe estudo.
  • Machado de Assis devia ser muito pobre, porque era um autodidata.

Autodidata – pessoa que se instrui por si mesma, sem professores.

15)Indique a classificação e o valor semântico de cada uma das orações iniciadas pela conjunção porque. Depois,justifique as respostas.

Leia, agora, o soneto escrito por Vinicius de Moraes, nosso poeta tão querido.

Soneto de fidelidade


De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.


Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento


E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama


Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.

Pesar – desgosto, tristeza.

Posto que – porque.

16) Transcreva, na linha abaixo, um verso do poema em que apareça o polissíndeto.  

Observe os versos:

“De tudo ao meu amor serei atento

  Antes […]”

17) Nos versos citados acima, o poeta utilizou uma figura de linguagem chamada inversão.Reescreva-os, em prosa, de modo que se estabeleça a ordem direta da oração.Utilize o espaço abaixo.

18) Na última estrofe do poema, aparece uma figura de linguagem que recebe o nome de: 

a) antítese

b) personificação

c) paradoxo

d) anáfora 

GABARITO

1-A tese é a de que a alma do outro é desconhecida para nós.

2-As pessoas podem conviver uma vida inteira e, mesmo assim, não se conhecerem totalmente.

3-D

4-Sujeito – or. subord. adj. explicativa.

5-A-F; B-V; C-F; D-F.

6-1- or. subord. adjetiva restritiva/2- or. subord. subst. objetiva direta

7-O respeito pelo oponente e a ética esportiva.

8-Quando a bola rola… Tempo

9-B

10B) “… e no momento… raciais e religiosas.” /conclusão/or. coord. sind. conclusiva

11-Sobrevivência – metáfora

12-“Sempre o quente sabor…”

13Conjunção integrante – não tem antecedente/introduz or. subord. subst. – or. subord. subst. subjetiva

14-A

15-Or.subord. adv. causal – causa

O fato de seus pais não poderem lhe proporcionar estudo (causa) obrigou-o a ser autodidata.

Or. coord. sind. explicativa – explicação

O fato de ele ser autodidata não é a causa de ele ser pobre.

16-Antes, e com tal zelo, e sempre,e tanto/ E rir meu riso e derramar meu pranto.

17-Serei atento ao meu amor antes de tudo.

18-Paradoxo.

QUANDO A CRASE É OBRIGATÓRIA (PARTE 1)

Então…regra é regra, sim?

Meu Espaço Literário

laynnecris.wordpress.com

Olá, visitantes e seguidores do Meu Espaço Literário.

No post de hoje veremos um tema que é campeão de pesquisa aqui no blogue. Este tema é a temida crase. Quem precisa prestar um concurso, ou está escrevendo um TCC, ou quem está no Ensino Médio naquela semana final cheia de provas, com certeza deve até sonhar com essa belezinha, não é?

Então, senta ai e vamos dar mais um passinho para compreender um pouco mais como funciona, como usar a crase e perder aquele medo de errar.

Caso ainda não tenha acessado ao artigo que citei, eis aqui uma oportunidade: “10 DICAS DE QUANDO NÃO USAR A CRASE”.

linha divisória

Sabemos que escrever bem é uma arte que requer muita prática, disciplina e dedicação e  que não acontece da noite para o dia. Não temos como melhorar a escrita sem praticar a escrita. Sempre digo para os meus alunos, não dá…

Ver o post original 1.320 mais palavras

Ser Gagá – Crônica de Millôr Fernandes – ATIVIDADE – Sétimo a nonos anos.

HABILIDADES ENVOLVIDAS: 

H05-Localizar itens de informação explícita, distribuídos ao longo de um texto.

H08- Inferir informação pressuposta ou subentendida, com base na compreensão global de um texto

H31- Identificar recursos semânticos expressivos (antítese, personificação, metáfora, metonímia) em segmentos de um poema, a partir de uma dada definição.

1-Defina, segundo o texto, o que é ser “gagá”?

2-Gagá é aquele indivíduo mentalmente incapaz, que voltou à infância; caduco. (Dicionário Aurélio). Explique se a definição do dicionário condiz com a condição de gagá explorada no texto.

3-“É sentir a saúde ocasional”. A partir da leitura desse trecho, marque a alternativa que melhor expressa a definição do termo em destaque

(  ) saúde crônica

(  ) saúde da ânima

(  ) saúde constante

(  ) saúde eventual

4- Antítese é uma figura de linguagem que consiste na exposição de ideias opostas. Ocorre quando há uma aproximação de palavras ou expressões de sentidos opostos. De acordo com esta definição, marque a alternativa que melhor exemplifica a ocorrência da antítese:

(  ) “É surpreender, subitamente, um olhar irônico que trocam dois brotinhos[…]”

(   ) “Ser Gagá é estar sempre na iminência de ouvir em plena rua: “Olha o tarado!”

(   ) “É carregar o corpo o tempo todo. É sentir o caixão no próprio corpo”.

(   ) “Ser Gagá é fogo. Ou melhor,é muito frio”.

LEITURA DO TEXTO DE MILLÔR

Ser Gagá não é viver apenas nos idos do passado: é muito mais! É saber que todos os amigos já morreram e os que teimam em viver, são entrevados. É sorrir, interminavelmente, não por necessidade interior, mas porque a boca não fecha ou a dentadura é maior do que a arcada. Ser Gagá é ficar pensando o dia inteiro em como seria bom ter trinta anos ou, vá lá, quarenta, ou mesmo, ó Deus, sessenta! É ficar olhando os brotinhos que passeiam, com o olhar esclerosado, numa inútil esperança. É ficar aposentado o dia inteiro, olhando no vazio, pensando em morrer logo, e sair subitamente, andando a meia hora que o separa dos cem metros da esquina, porque é preciso resistir. É dobrar o jornal encabulado, quando chega alguém jovem da família, mas ficar olhando, de soslaio, para os íntimos da coluna funerária. Ser Gagá é saber todos os mortos inscritos no Time, em Milestones. Não é saber o Who is who, mas os WHEN. É só pensar em comer, como na infância. E em certo dia passar fome as vinte e quatro horas, só de melancolia. É, na hora mais ativa do mais veloz Bang-Bang, descobrir, lá no terceiro plano, uni ator antigo, do cinema mudo, e sentir no peito a punhalada. É surpreender, subitamente, um olhar irônico que trocam dois brotinhos, que, no entanto, o ouvem seriamente. É querer aderir à bossa nova, falar “Sossega Leão” e morrer de vergonha ao perceber o fora. É não querer, não querer, mas cada dia ficar mais necessitado de amparo do que outrora. É ter estado em Paris, em 19. É descobrir, de repente, um buraco na roupa e dar graças a Deus, por ser na roupa. Ser Gagá é sentir plenamente que tudo que se leu, que se aprendeu, que se viu e se viveu não vale nada diante do que estua. Ser Gagá é estar sempre na iminência de ouvir em plena rua: “Olha o tarado!” É ficar contente em ver Chaplin e Picasso como os “mais charmosos” de sessenta! É chamar de menina à quarentona. É ter uma esperança senil nos cientistas. É reparar, nos mais jovens, o imperceptível sinal de decadência. É ficar olhando o detalhe, nos amigos; a lentigem nas mãos, o cabelo que afina, a pele que vai desidratando. Ser Gagá é o orgulho vão de ainda ter cabelo e poucos brancos! A vaidade tola de não ter barriga; a felicidade de ter dentes próprios. E fazer grandes planos qüinqüenais que espantam os jovens que acham cinco anos a própria eternidade, mas que o Gagá sabe que voam como voaram tantos, tantos, tantos. É se apegar, desesperadamente, pelo tremendo impulso da existência, aos filhos, aos netos e aos bisnetos, embora saiba que eles não o querem, que a convivência com eles é apenas parte e total do egoísmo vital que o enterra. É sentir que agora, outra vez, está bem de saúde. É sentir a saúde ocasional. É carregar o corpo o tempo todo. É sentir o caixão no próprio corpo. É saber que já não há quem tenha prazer em lhe acarinhar a pele. É já não ter prazer em passar a mão na própria pele. É esquecer de coisas importantes e lembrar, sem saber por que, um gosto, um calor, uma palavra há tempos esquecidos. Ser Gagá é procurar com afã a importância do cargo para de novo ser solicitado, embora pelo cargo. É sentir que nada do que faça, espantoso que seja, terá a importância do feito de outro homem, nos inícios da vida. Ser Gagá é quando dormir tarde se torna uma loucura, resgatada em feroz resfriado que dura uma semana. É ter sabido francês, e esquecido. É já não jogar xadrez como outrora! É olhar o retrato amarelado e lembrar que fotógrafo usava magnésio. É dizer, como um feito, que ainda lê sem óculos. É ouvir que alguém diz, quando passa na rua: “inda está firme!” É ficar galante e baboseiro na terceira taça de champanha. É casar com uma mulher mais jovem e querer dar logo ao mundo a inegável prova de um filhinho. Ser Gagá é, num esforço mortal, aceitar tudo que inventam, todas as idéias, as modas, a música, o ritmo de vida, mas não deixar de dizer numa ironia profunda e amargurada. “Eu não entendo”. É sentir de repente o isolamento. É ficar egoísta, e amedrontado. É não ter vez e nem misericórdia. Ser Gagá é fogo. Ou melhor, é muito frio.

Outros elementos do texto poético

Segundo o poeta Carlos Drummond de Andrade, “entre coisas e palavras – principalmente entre palavras – circulamos”. As palavras, entretanto, não circulam entre nós como folhas soltas no ar. Elas são organizadas em textos, por meio dos quais podem criar significados capazes de transmitir ideias, sentimento, desejos, emoções.

Muitas delas se combinam de tal forma que fica evidente terem sido selecionadas com a finalidade de compor imagens, sugerir formas, cores, odores, sons, permitindo múltiplas sensações, leituras e interpretações. Isso é o que observamos quando lemos, ouvimos ou vemos um poema, forma de composição que se destaca também por uma espécie de melodia e de ritmo que emanam do modo como as palavras são arranjadas.

O poema é um gênero textual que se constrói não apenas com ideias e sentimentos, mas também por meio do emprego do verso e se seus recursos musicais – a sonoridade e o ritmo das palavras – e de palavras com sentido figurado, conotativo.

A musicalidade que caracteriza os textos poéticos é resultado da utilização de recursos presentes na poesia de todos os tempos, tais como a métrica, o ritmo, a rima, a aliteração e assonância.

A voz do poema

A voz que fala num poema sempre é a do poeta. Da mesma maneira que num romance ou num conto nem sempre o narrador da história é o autor da obra, num poema nem sempre o poeta está falando por si próprio.

Assim, chamamos de eu lírico (ou eu poético ou sujeito) ao ser abstrato cuja voz fala no poema. Esse ser abstrato tanto pode consistir em uma invenção do poeta quanto representar o poeta, sendo a expressão do que ele pensa e sente.

O verso e a estrofe

Verso é uma sucessão de sílabas ou fonemas que formam uma unidade rítmica e melódica, corresponde em geral a uma linha do poema.

Os versos organizam-se em estrofes.

Estrofe ou estância é um agrupamento de versos.

Diferenças entre Conotação e Denotação

Denotação

 Palavra com significação restrita.

Palavra com sentido comum, aquele encontrado no dicionário.

 Palavra utilizada de modo objetivo.

 Linguagem exata, precisa.

Conotação

 Palavra com significação ampla, dada pelo contexto.

 Palavra com sentidos carregados de valores afetivos, ideológicos ou sociais.

 Palavra utilizada de modo criativo, artístico.

 Linguagem expressiva, rica em sentidos.

Recursos presentes nos poemas

Métrica é a medida dos versos, isto é, o número de sílabas poéticas apresentadas pelos versos.

Para determinar a medida de um verso, nós o dividimos em sílabas poéticas. Esse procedimento tem o nome de escansão.

Em razão de ter por base a oralidade – fala ou canto – a divisão silábica poética obedece a princípios diferentes dos que orientam divisão silábica gramatical: as vogais átonas são agrupadas numa única sílaba, e a contagem das sílabas deve ser feita até a última tônica.

Ritmo é a alternância de sílabas acentuadas e não acentuadas, isto é, sílabas que apresentam maior ou menor intensidade quando pronunciadas. O conceito poético de sílaba acentuada nem sempre coincide com o conceito gramatical de sílaba tônica, pois a acentuação de uma sílaba poética é determinada pela sequência melódica em que ela se insere.

Rima é um recurso musical baseado na semelhança sonora de palavras no final de versos ( rima extrema) e, às vezes, no interior de versos (rima interna)

As rimas externas classificam-se como intercaladas, alternadas e emparelhadas, segundo sua organização em esquemas ABBA, ABAB e AABB, respectivamente.

Os versos que não apresentam rimas entre si são chamados de versos brancos.

Outros recursos sonoros

Aliteração é a repetição constante de um mesmo fonema consonantal. Observe como o poeta Castro Alves alitera o fonema /b/ nestes versos:

Auriverde pendão de minha terra

Que a brisa do Brasil beija e balança

Assonância é a repetição constante de um mesmo fonema vocálico. Observe a assonância do fonema vocálico /a/ nestes versos de Cruz e Souza:

Ó Formas alvas, brancas, Formas claras

Paronomásia é o emprego de palavras semelhantes na forma ou no som, mas de sentidos diferentes, próximas umas das outras. Exemplo:

Ah pregadores! Os de cá achar-vos-ei com

mais paço; os de lá, com mais passos.

(Pe. Antônio Vieira)

Trocando em miúdos, pode guardar

As sobras de tudo que chamamos de lar

As sombras de tudo que fomos nós

(Chico Buarque. In: Adélia Bezerra de Menezes Bolle, org., op. cit., p. 45.)

Paralelismo é a repetição de palavras ou estruturas sintáticas maiores (frases, orações, etc.) e se correspondem quanto ao sentido. Observe o paralelismo nestes versos da canção “Sem fantasia”, de Chico Buarque:

Vem que eu te quero fraco

Vem que eu te quero tolo

Vemque eu te quero todo meu.

(In: Adélia Bezerra de Menezes Bolle, org., op. cit.,p. 23.)